Daniel Vorcaro, dono do Master, e o cunhado dele, Fabiano Zettel, vão continuar presos preventivamente por ordem da Justiça e já foram transferidos para um presídio estadual em São Paulo. A decisão foi tomada pela Justiça Federal da capital paulista, após audiência de custódia, e os dois foram levados agora à tarde para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.
No documento em que pediu a prisão ao STF, a Polícia Federal apresentou diversas justificativas. Entre elas está a informação de que Vorcaro ocultou mais de R$ 2 bilhões em uma conta bancária que estava em nome do pai, Henrique Moura Vorcaro. Isso aconteceu mesmo após ter sido solto no fim do ano passado e também ao mesmo tempo em que o Fundo Garantidor de Crédito se desdobrava para cobrir o rombo de R$ 40 bilhões deixado pelo Master.
Para os investigadores, essa ocultação seria um sinal de dilapidação do patrimônio, que reforçaria a necessidade da prisão.
A defesa do banqueiro negou qualquer tentativa de obstruir o trabalho das autoridades e disse confiar no esclarecimento completo dos fatos. E também afirmou desconhecer a existência de qualquer conta com os valores citados.
Além disso, os investigadores também afirmaram no documento que Daniel Vorcaro ordenava ataques violentos contra jornalistas e opositores em grupo do WhatsApp. A revelação desse fato gerou muita repercussão e eu preparei uma reportagem com os desdobramentos.
A investigação
Dentro das investigações, a Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro usava grupos de WhatsApp para ordenar agressões violentas contra jornalistas e opositores. Numa troca de mensagens, o banqueiro e aliados falam sobre um possível ataque ao colunista Lauro Jardim, e diz claramente:"Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".
Mesmo após a divulgação do conteúdo das mensagens, Vorcaro informou por meio da assessoria de imprensa “que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto. E, além disso, que segue colaborando com as autoridades”.
Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudiaram as gravíssimas denúncias reveladas pelas investigações da Polícia Federal, que apontam a existência de um plano criminoso para intimidar e agredir o jornalista Lauro Jardim. A ação foi classificada pelas instituições como um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares fundamentais da democracia. A Fenaj e o sindicato exigiram, ainda, apuração rigorosa dos fatos.
O conteúdo das mensagens também foi repudiado pelo Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, que reafirmou seu compromisso com a proteção de jornalistas e o monitoramento de casos de violência e a construção de políticas públicas para garantir o livre e seguro exercício do jornalismo no Brasil.
Também como desdobramento, horas depois da ação de hoje, o Banco Central confirmou indícios de que os dois servidores alvos da operação da PF teriam mesmo participado da fraude do Banco Master.
No documento, o BC diz que “identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente de pessoal. E que, em função disso, afastou os servidores do exercício de cargos e do acesso às dependências da instituição e dos sistemas”. O banco também confirma que instaurou procedimentos administrativos para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal.
No final da tarde, a Polícia Federal informou que um dos quatro presos na operação, Luiz Philippi Mourão, atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia da instituição. Ele foi socorrido e encaminhado ao hospital.
No Congresso, a prisão de Daniel Vorcaro repercutiu entre os parlamentares, especialmente entre os integrantes das comissões e grupos de trabalho que tinham previsão de ouvir o banqueiro.
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), usou as redes sociais: “As notícias recentes, com prisão de Vorcaro e parceiros flagrados combinando ações violentas e corrupção de agentes públicos, deixam clara a atuação típica de crime organizado de altíssima periculosidade... que, na visão dele, pode e deve ser objeto de atuação da CPI no Senado”.
Já o presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), disse que a prisão de Vorcaro é um desdobramento natural das investigações e que não interfere no trabalho da comissão.
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