O aumento da temperatura provoca efeitos nocivos no desenvolvimento de crianças em situação de vulnerabilidade social entre 1 e 5 anos. Um desses impactos é o que aumenta o risco de desnutrição infantil. A conclusão é de um estudo da Fundação Oswaldo Cruz.
A pesquisa coletou informações entre 2007 e 2017 em todo o país e chegou à conclusão que 1°C de elevação na temperatura aumenta em 10% as chances de baixo peso em crianças de 1 a 5 anos. Também eleva em 8% a chance de desnutrição aguda e faz crescer em 8% a possibilidade de desnutrição crônica.
Altas temperaturas afetam o metabolismo infantil, tornam mais frequentes episódios de diarreia e dificultam a absorção de micronutrientes. Outro resultado da pesquisa mostra que o calor multiplica vulnerabilidades, desigualdades e afeta determinados grupos de maneira mais intensa.
Entre mais de seis milhões de crianças analisadas em locais onde houve aumento das temperaturas, baixo peso e desnutrição são efeitos mais observados em meninas. Cerca de 4% delas estavam abaixo do peso e quase 6% apresentavam desnutrição aguda. Já o atraso no crescimento foi mais frequente em meninos: 10,4% deles apresentaram esse quadro.
No recorte por raça e etnia, as crianças indígenas estão no cenário mais crítico: 6,7% estavam abaixo do peso e quase 27% tinham atraso no crescimento. Aproximadamente 6% das crianças pretas apresentaram desnutrição aguda e 9,3% desse grupo tinha atraso no crescimento.
Segundo os pesquisadores, políticas como o Bolsa Família ajudam a mitigar a insegurança alimentar, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, em áreas rurais e em comunidades indígenas. Outra forma é incrementar a merenda escolar. No Rio de Janeiro, em dias quentes, o cardápio oferecido para as crianças da rede pública de ensino do município passa por adaptações.
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