Um dos criminosos que participou do estupro coletivo contra uma adolescente, no Rio de Janeiro, ao ser preso, estava usando uma camiseta com a frase “regret nothin”, em português, “não se arrependa de nada”. Essa frase é utilizada por grupos misóginos chamados red pills.
Um estúdio de tatuagem, em Brasília, decidiu “vacinar” as mulheres contra esse grupo, tatuando borboletas nas mulheres. Isso porque, o movimento da chamada machosfera, que promove discursos de ódio contra mulheres, considera a tatuagem de borboleta um sinal de alerta nas mulheres. A marca foi, então, transformada em símbolo de resistência.
Os chamados red pill, termo usado para designar homens que pregam ideologias machistas, misóginas e defendem uma “masculinidade dominante”, se espalharam pelas redes sociais. Dentro dessa “machosfera”, a tatuagem de borboleta é um símbolo preconceituoso, sem fundamento, atribuído a mulheres supostamente promíscuas, que não seriam boas para relacionamentos sérios ou que apresentariam alguma instabilidade emocional.
"O red pill é o lado violento do incel. Tipo assim, a misoginia, o ódio às mulheres. Eles dizem que as mulheres são inferiores, e outros dizem assim: eu nem sei se é inferior ou não, mas eu tenho ódio às mulheres. Então, essa história de inferiorizar ou dizer que tem ódio faz parte do movimento red pill. Isso faz com que eles falem mal de todas as mulheres que têm iniciativa sexual, mas não com eles, e falem mal também dos homens alfa", explica a professora de Antropologia da UnB, Lia Zanatta. .
Aliná é tatuadora e hoje trabalha, principalmente, com mulheres da comunidade LGBTQIA+ e pessoas com deficiência. Ela faz cobertura de cicatrizes, queloides e queimaduras, com um trabalho voltado para devolver a autoestima e a confiança a clientes vítimas de violência.
Neste sábado (18), o estúdio em que atua resolveu fazer um protesto diferente contra homens machistas. As mulheres que fizerem uma tatuagem de borboleta serão “vacinadas” contra os red pills. A ação mostra que, assim como a metamorfose da borboleta, a vacina, além de proteger contra doenças, também pode combater o machismo e a misoginia.
"Eu acho que as mulheres entendem que o processo de transformação delas também está ligado a essa questão de encontrar uma outra forma de vida. E eu acho que a borboleta carrega esse significado. Aqui, quando as pessoas vêm, e muitas, a maioria das mulheres traz essa imagem, esse arquétipo para ser tatuado, elas visam justamente isso: a transformação, geralmente após uma fase difícil que passaram. Agora, elas vivem uma fase mais leve, em que ganharam asas", explica a tatuadora.
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