O cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã terminaria às 21h desta terça-feira (21), no horário de Brasília. O dia amanheceu com indícios de que essas negociações de paz de fato não aconteceriam porque nem a delegação norte-americana nem a delegação do Irã tinham embarcado para o Paquistão, que faz a mediação.
Donald Trump começou o dia dizendo que a trégua não seria prorrogada, mas, por volta de 17h, publicou em sua rede social que havia mudado de opinião e que o cessar-fogo estava mantido por tempo indeterminado.
Até esse horário, o mundo ficou sob tensão, com impactos no mercado financeiro e nas bolsas europeias, que operaram em baixa, assim como as bolsas norte-americanas. O preço do petróleo também sofreu impacto. O barril do tipo brent chegou a ser cotado a mais de US$ 100, mas os preço cederam após o anúncio de Trump.
O bloqueio dos Estados Unidos ao Estreito de Ormuz está mantido, o que mantém instabilidade sobre os preços do petróleo. A Agência Internacional de Energia disse que o mundo vive a crise energética mais grave da história, porque a crise do petróleo se soma à do gás que veio como resultado da guerra entre Ucrânia e Rússia.
Ainda assim, o Brasil mantém vantagens neste cenário, como diz o especialista em mercado financeiro Cesar Queiroz:
“Quando você tem uma situação de conflito como a gente está assistindo hoje, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, você traz muita volatilidade para o mercado. Os investidores, num primeiro momento, correm para os ativos que chamamos de seguros, como o ouro, que atingiu um patamar que em 20 anos ele nunca havia atingido, que foi de US$ 5 mil a onça. Quando se atinge esse patamar, os investidores profissionais entendem que atingiu-se um teto histórico, e tendem a começar a buscar mercados emergentes que oferecem custo baixo, alta rentabilidade e liquidez numa necessidade de saída daquele mercado. Nesse quesito, o Brasil é PHD. O Brasil, historicamente, é um exportador de juros, tem uma bolsa relativamente barata por conta da questão cambial, e o volume que vem girando na bolsa ultimamente, haja vista os recordes sucessivos que a Bovespa vem colecionando traz para o investidor estrangeiro uma certa segurança de liquidez numa necessidade de saída.”
Imagem prejudicada
A duração do conflito no Oriente Médio e a forma como Trump vêm lidando com ele têm prejudicado a imagem do presidente nos Estados Unidos. No que se refere à política interna, uma pesquisa mostra que a popularidade dele está estagnada nos piores níveis desde o início do mandato: uma aprovação pouco superior a 30%, mas uma reprovação superior a 60%, inclusive entre o eleitorado dele.
Os números refletem os impactos na economia. O preço da gasolina fica mais alto nos Estados Unidos, com reflexos na inflação. E tudo isso tem corroído a popularidade de Trump, também por conta do comportamento. O temperamento dele tem prejudicado a avaliação, inclusive por conta dos ataques que fez recentemente ao Papa.
Os Estados Unidos enfrentam agora uma eleição de meio de mandato que pode renovar o Congresso Nacional e pode diminuir, ou até mesmo perder, apoio ao governo de Trump.
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