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Entenda o "apodrecimento mental" e os riscos da hiperconexão em telas

Repórter Brasil

No AR em 21/04/2026 - 19:00

As redes sociais estão cheias de frutas, órgãos do corpo humano e objetos que ganham vida e dão até broncas pelo uso que as pessoas fazem deles.

Vídeos com esse formato surgiram no ano passado, em plataformas como o TikTok, e depois se espalharam por outras redes sociais. Os primeiros, num contexto de divertimento absurdo, non-sense ou simplesmente besteiras. Com potencial de viralização, o modelo passou a ser adotado até por profissionais na internet. Alguns minutos rolando a tela das redes sociais e lá estão eles.

Para a pesquisadora e coordenadora do NETLAB da UFRJ, Débora Salles, os vídeos "tem uma coisa de não se levar tanto a sério, de fazer piada com coisas básicas e de não ter limites para liberdade de expressão."

Esse tipo de animação construída por inteligência artificial está relacionada ao que especialistas chamam de brain rot, termo em inglês traduzido como apodrecimento mental. É um fenômeno relacionado com o declínio da capacidade cognitiva, perda da capacidade de concentração e outros efeitos que vêm com o consumo excessivo de conteúdos superficiais, caóticos e repetitivos nas redes sociais.

Quando o conteúdo é acessado por crianças e adolescentes, surge a preocupação de pais e profissionais de saúde com os efeitos nocivos, tanto pelo risco trazido pelo conteúdo das mensagens quanto pelos efeitos que rolar esses vídeos no celular provocam no cérebro.

Entre os impactos apontados, estão dificuldade de concentração, perda de criatividade, ansiedade, irritabilidade e fadiga mental persistente. O fenômeno brain rot acende um alerta para os problemas da hiperconexão e a falta de estímulos complexos no cérebro. É o que explica a mestre em Psicologia e professora do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, Luciana Brooking:

"Esses vídeos mais curtos e de baixa qualidade, tem mais correlação com ansiedade, com depressão, com estresse, com rebaixamento atencional, com baixa tolerância à frustração, dificuldade de socializar. A criança começa a ter dificuldade de manter suas relações sociais, não consegue brincar. O adolescente também não consegue saber o que que é risco."

A pesquisadora Débora Salles completa:

"É claro que assistir um vídeo não é o fim do mundo. Mas a gente está falando de crianças que desenvolvem hábitos destrutivos mesmo, que ficam o dia inteiro na internet consumindo conteúdo que vai levá-las para um comportamento extremista, um comportamento intolerante."

A velocidade acelerada dos aplicativos pode causar inquietude, impaciência, irritabilidade, dificuldades de sono e indisposição ao acordar. Os efeitos podem ser controlados com mudanças de comportamento: estabelecer limites no tempo de exposição a telas, desativar as notificações do celular, não usar o aparelho perto do horário de dormir nem durante as refeições e investir tempo em atividades mentais complexas como ler um livro ou montar um quebra-cabeça.

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Criado em 21/04/2026 - 20:20

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