Meninas e mulheres vítimas de violência sexual estão mais propensas a desenvolver doenças cardiovasculares na vida adulta. Os dados fazem parte de um estudo, publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva, que utiliza dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE.
Elizabeth Carthemol escreveu um livro. Vai se formar em Direito e pretende criar uma ONG contra violência doméstica e estupro de vulnerável. Pela primeira vez, ela mostra o rosto para uma equipe de reportagem. O abusador, seu ex-companheiro e ex-padre, cumpre a pena há três anos. Nesta trajetória, Elizabeth carrega feridas que vão além dos traumas psicológicos.
“Eu adquiri uma angina. É uma angina que hoje eu tenho um encaminhamento para fazer um cateterismo com 44 anos, o que não é comum”, conta.
O levantamento aponta que meninas e mulheres brasileiras vítimas de violência sexual tendem a ficar mais suscetíveis a problemas no coração, como infarto do miocárdio e arritmias. Os primeiros sinais aparecem num prazo de 10 a 15 anos.
Segundo o estudo, mulheres vítimas de violência sexual têm 74% mais chance de desenvolver problemas cardíacos. O percentual foi obtido com base nos dados do IBGE com mais de 70 mil entrevistados. E os números podem ser ainda maiores, devido à subnotificação de crimes sexuais.
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