E no mês dos povos indígenas, é bom lembrar que, no Brasil, o cocar veio bem antes da coroa. Os povos originários já estavam aqui quando os portugueses chegaram, mas ainda hoje precisam lutar por reconhecimento. A equipe da TV Pernambuco foi a Carnaubeira da Penha e conheceu o povo Pankará.
“Chamam a gente de feiticeiro... dizem um bocado de coisa. Que não vão trabalhar, que não conseguem emprego. E a gente não liga, não. A gente segue até hoje, graças a Deus. A nossa serra é nossa terra. É povo indígena, é povo de Pernambuco, é tradição, é cultura,” diz o pajé. João Miguel.
A nossa equipe percorreu mais de 400 km, em uma viagem de mais de 7 horas, saindo do centro do Recife até o município de Carnaubeira da Penha, no Sertão de Pernambuco. Fomos conhecer o povo Pankará, um povo originário que luta todos os dias pelo direito à terra e também pela continuidade das suas tradições — um exemplo de coletividade que poucos conhecem.
Já na primeira parada, a equipe conheceu Nilson, liderança e professor de arte indígena. Ele explica o que é o povo Pankará.
“O povo Pankará, para nós, é um povo resistente, que lutou até agora e conquistou muita coisa. A gente trabalha no coletivo, unido.”
E quais são os desafios?
“São muitos. Mas a gente pede força aos encantados, e vai dando certo. Com a ajuda deles, a gente segue trabalhando, com fé em Deus.”
Na aldeia, Nilson e os outros moradores seguem a pajelança do pajé. João Miguel conta que começou nessa missão ainda criança.
“Desde pequeno eu comecei. Trabalho na Jurema desde os 11 anos. Já bebi a Jurema. É um prazer. Quando vejo uma pessoa doente ficar boa, é uma alegria grande na minha vida. Graças a Deus, cuido de muitas pessoas.”
Apesar de habitarem o local há séculos, até dezembro de 2002 os indígenas da região não eram reconhecidos oficialmente e não tinham um nome único que identificasse o povo. Os habitantes da Serra do Arapuá utilizavam várias categorias identitárias, como caboclo e caboclo indígena. Depois de um processo de reorganização social e étnica, no início de 2003, passaram a adotar o nome Pankará, sempre com a permissão dos encantados durante o ritual do toré.
São centenas de anos de história. A partir da década de 40, começou uma organização maior. Mesmo após o reconhecimento, em 2003, a luta continua.
“A gente não comemora o dia 19. A gente revive esse processo histórico, daquele tempo de massacre. O dia 19 de abril não é uma data comemorativa, é uma data para lembrar o que aconteceu com os povos indígenas do Brasil.”
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