Quatro em cada dez adolescentes brasileiros já sofreram bullying, segundo pesquisa recente do IBGE. Para enfrentar esse desafio, o Ministério da Educação aposta no fortalecimento da convivência. A ideia é que a escola seja mais que um local de ensino: seja um espaço de construção social e de paz.
Nomear e reconhecer a violência é o primeiro passo. No Centro de Ensino Médio 01 do Guará, no Distrito Federal, essa lição foi aprendida na prática. A escola, que já foi palco de conflitos graves, hoje respira um ar diferente.
“Antes nós tínhamos uma escola quando eu entrei aqui, pichada, uma escola com vários conflitos mesmo de vias de fato, presença de arma branca. Depois do projeto, nós tivemos uma escola assim que foi aos poucos se tornando um ambiente mais tranquilo, mais saudável”, destaca Cynara Martins, diretora do CEM 01 do Guará.
O projeto que a diretora fala é o "Vem Comigo", que nasceu da necessidade de lidar com a violência que os professores não sabiam como enfrentar. Hoje, a escola conta com mediadores, rodas de conversa e assembleias.
“Criamos esses espaços de fala, de expressão de sentimento, né? Isso mudou a escola. Mudou a escola. O clima escolar melhorou, ficou positivo, despertou nos estudantes o sentimento de pertencimento”, afirma Márcia Delgado, coordenadora do projeto.
Na rede de apoio, os próprios estudantes se ajudam. Kyara, Bia e Gabriel fazem parte desse grupo que busca evitar que outros passem pelo que eles viveram.
“Eu sofria bullying por causa do meu autismo e me chamavam de bicho do mato, que eu não era uma pessoa normal”, lembra a estudante Beatriz Costa.
“Quando você passa por certas coisas na escola, acaba que você fica sem vontade de querer ir para o colégio, você sente que ‘ah, eu vou para o ambiente que é ruim, me distrai, eu não consigo focar nos estudos’. Você acaba perdendo vontade de estudar, de querer ir para o colégio, de querer até socializar. Acaba atrapalhando não só no estudo, mas acho que até na vida mesmo”, pontua Kyara Lúcio.
“De vez em quando tem casos raros de bullying, mas isso acontecia mais antigamente. Hoje em dia é como você falou, é mais a prevenção e evitar que aconteça, que a gente já criando um ambiente seguro, evita muito mais de acontecer um caso muito extremo”, destaca o estudante Gabriel Souza.
Experiências como essa do DF dialogam com ações do MEC. O programa Escola que Protege é a principal estratégia para colocar em funcionamento o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas.
“Algumas escolas elas quando começam com um projeto, elas têm essa realização, elas compreendem, finalmente, que precisamos conversar com os alunos, escutar os alunos e dar a eles protagonismo para construir a cultura da paz. Estar na escola não é apenas para aprender matemática, geografia e português. Estar na escola é também para ser educado. Essa história de que só a família educa é absurda, não faz sentido. A escola educa e muito”, resume Angela Branco, psicóloga e professora emérita da UnB.
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