Você já pensou em quantas florestas foram derrubadas para abrir uma estrada, para construir uma fábrica ou para instalar parte de uma cidade? O argumento para urbanizar a qualquer custo e sem muito estudo sempre foi o progresso ou o desenvolvimento. Só que esse princípio começa a perder força.
A ideia de que o desenvolvimento econômico de uma região é incompatível com a preservação do meio ambiente não se sustenta. É o que mostra um levantamento publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, que cruzou dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e informações do IBGE. O resultado mostrou que as cidades com maior índice de desmatamento são também as que têm a menor renda média familiar.
O progresso baseado em transformar áreas verdes em cidades costuma ser de curto prazo, gerando um ganho rápido para poucos. Enquanto a conservação oferece caminhos mais sustentáveis, com desenvolvimento para toda a comunidade e a longo prazo.
“O Brasil chegou ao século XXI com uma enorme potencialidade ambiental, e nós não podemos desperdiçar isso, ao contrário, nós temos que aproveitar essa diversidade e com isso produzir soluções econômicas que incluam a sociedade, combatam a desigualdade social, gerem emprego e renda e melhorem a situação de todo o país e de todo o cidadão brasileiro”, destaca João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente.
E não é só a comunidade que lucra com a preservação do meio ambiente. Os setores que historicamente mais desmatam, como a agricultura e a pecuária, também precisam da floresta em pé para sobreviver. Quanto maior a degradação, mais ondas de calor, secas severas ou enchentes históricas — eventos extremos que resultam em prejuízos bilionários ao próprio agronegócio.
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