Há 20 anos, uma onda de violência parou São Paulo e diversas outras cidades paulistas. Ataques coordenados pelo crime organizado atingiram bases policiais, e um clima de medo se espalhou entre a população.
A resposta da polícia, porém, deixou um rastro de violência e vítimas inocentes. Em um intervalo de dez dias, 564 pessoas foram mortas no estado. Duas décadas depois, muitas perguntas seguem sem resposta.
Maio de 2006. Na véspera do dia das mães, uma onda de violência toma o estado de São Paulo. Esvaziou as principais ruas e avenidas da capital paulista, em uma cena nunca antes vista. De 12 a 21 de maio de 2006, 59 agentes de segurança pública foram mortos.
“Os crimes de maio foram um massacre, uns vão chamar de chacina, mas o fato é que um dos maiores crimes do estado brasileiro. Uma reação injustificável a um episódio de segurança pública que vitimou mais de quinhentos civis”, destacou Gabriel Sampaio, advogado e diretor da Conectas Direitos Humanos.
Essa ação do estado, que ficou conhecida como revide, ultrapassou os limites da capital paulista e chegou ao litoral. O filho de Sônia Lins era pizzaiolo e morreu quando ia com o primo jogar videogame. Débora Maria da Silva também perdeu o filho naquele maio de 2006. Rogério era gari e foi assassinado quando levava uma moto para abastecer.
Em busca de justiça e responsabilização, Débora, Sônia e outras mães fundaram o movimento Mães de Maio, que hoje apoia outras mulheres que perderam os filhos para a violência de estado.
Até agora, apenas algumas indenizações pontuais foram julgadas, e a maior parte dos casos foi arquivada. Elas ainda aguardam uma ação no Superior Tribunal de Justiça e outra, em análise, na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Os 20 anos dos chamados Crimes de Maio são o tema do programa Caminhos da Reportagem de hoje, a partir das 23h.
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