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Desigualdade no Brasil já afeta o aprendizado aos 5 anos, diz OCDE

Repórter Brasil

No AR em 16/05/2026 - 19:00

Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avaliou a aprendizagem de crianças menores de 5 anos no Brasil e em mais oito países. Apesar de o país estar perto da média na aprendizagem de leitura e matemática, o Brasil se sai pior nas atividades lúdicas dentro de casa. Além de terem menos contato com livros, as crianças brasileiras passam mais tempo em telas do que o recomendado.

É na primeira infância, até os 6 anos, que toda a estrutura do desenvolvimento cognitivo, físico e emocional é formada. Não à toa, atividades como brincar, desenhar, ler, correr e pular são fundamentais. Por isso, as interações familiares também têm papel crucial nesse processo. No entanto, o Estudo Internacional de Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância mostra que as famílias brasileiras têm dado pouco espaço para essas atividades estimulantes.

A pesquisa coletou diversas informações sobre o ambiente familiar — incluindo brincadeiras ao ar livre, atividades em contato com a natureza, o hábito de contar histórias e as conversas sobre os sentimentos das crianças. Em paralelo, também foram levantados dados sobre os diferentes tipos de atividades que os professores realizavam com os alunos nas unidades de educação infantil.

Coordenado pela OCDE, o estudo analisou quase 2.600 crianças de 210 escolas públicas, distribuídas por 89 municípios dos estados do Ceará, do Pará e de São Paulo. Os resultados evidenciaram profundas desigualdades entre as famílias brasileiras: enquanto 24% das famílias mais ricas leem frequentemente para as crianças, esse número cai para apenas 9% entre as mais pobres.

As crianças mais vulneráveis — incluindo meninos pretos, pardos e indígenas — apresentaram os resultados mais baixos nos quesitos analisados, o que demonstra a necessidade urgente de políticas públicas a favor da igualdade desde os primeiros anos de vida. O ineditismo trazido pelo estudo sobre a educação infantil revela que, já aos 5 anos, a nossa desigualdade é enorme. O problema central não é que ninguém esteja aprendendo matemática, mas sim que um conjunto importante de crianças vulneráveis está aprendendo muito pouco.

O estudo analisou também a utilização de telas e aponta que, na primeira infância, o uso deve ser mediado, intencional e alinhado ao bem-estar e ao desenvolvimento infantil. No Brasil, 50,4% das crianças usam dispositivos digitais todos os dias, superando a média mundial de 46%.

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Criado em 16/05/2026 - 22:40

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