Cientistas alertam para a possibilidade de novas instabilidades climáticas voltarem a afetar diferentes regiões do mundo. Enquanto alguns lugares enfrentam enchentes, outros sofrem com vazantes e queimadas em níveis recorde.
Por trás dessas mudanças estão fenômenos como El Niño e La Niña, que se formam no Oceano Pacífico, mas têm impactos diretos no clima global. A reportagem da TV Encontro das Águas mostra como esses fenômenos afetam a vida de quem mora na Amazônia, por exemplo.
É no maior oceano do mundo, no Oceano Pacífico, a milhares de quilômetros da Amazônia, que tudo começa. É ali que nasce o sistema climático mais importante do mundo. A alteração da temperatura das águas por lá dita a mudança dos ventos e a distribuição das chuvas em todo o planeta. O El Niño é o aquecimento anormal do Pacífico e a La Niña, o resfriamento.
Desde setembro de 2025, o mundo vivia sob a influência da La Niña. No Amazonas, os efeitos foram sentidos com as cheias dos rios. Até o fim de abril de 2026, 16 municípios estavam em situação de emergência, afetando mais de 150 mil pessoas. Mesmo assim, segundo especialistas, os níveis ainda estão dentro da normalidade para o período.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, a fase de La Niña já chegou ao fim e o sistema está em neutralidade. Mas as previsões indicam que a chance de formação do El Niño ultrapassa 60% ainda no primeiro semestre deste ano e pode passar de 90% no segundo semestre de 2026.
As imagens são de 2024, ano em que o Rio Negro atingiu 12,39 m, o menor nível em mais de um século, um dos cenários que podem se repetir neste ano, com impactos diretos na navegação, na pesca e no abastecimento de comunidades inteiras.
E há um fator que agrava tudo isso. Estudos apontam que os eventos extremos estão mais frequentes, com secas mais longas e chuvas mais intensas. Ou seja, o clima está mais instável e menos previsível.
O que acontece no oceano, a milhares de quilômetros daqui, chega sem aviso na porta de casa. E entender esses fenômenos é o primeiro passo para se preparar para um futuro que já começou.
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