O Dia das Mães é celebrado no próximo domingo. E para marcar a data, a TVE do Espírito Santo conversou com duas mulheres que refletiram sobre as alegrias, os desafios e as contradições da maternidade. A reportagem é da nossa parceira da Rede Nacional de Comunicação Pública.
“Ser mãe é padecer no paraíso”, já dizia o poeta. Numa metáfora, padecer é sentir dor. Paraíso é um lugar ideal, marcado por um amor profundo. Ideias opostas que ajudam a explicar a experiência da maternidade.
Uma experiência que, muitas vezes, é difícil de viver — principalmente para mães solo, como a empresária Indyara Fiori.
Ela conta que, mesmo quando existe uma rede de apoio ou um parceiro presente, a maior parte das responsabilidades continua recaindo sobre a mãe.
A advogada Camila de Castro também tem apoio na criação dos filhos, mas diz que a rotina da maternidade segue pesada e distante da imagem idealizada que muitas vezes é construída socialmente.
Da preocupação diária surge outro sentimento comum entre mães: a culpa.
As entrevistadas relatam que a cobrança começa ainda na gravidez. Alimentação, medicação, hábitos e escolhas passam a ser constantemente vigiados, como se qualquer problema futuro pudesse ser responsabilidade exclusiva da mulher.
Em meio a essa pressão, surgem relatos sinceros sobre exaustão, sobrecarga e ambivalência. Há quem diga amar profundamente os filhos, mas não romantizar a maternidade.
Ao mesmo tempo, outras mães descrevem a experiência como a realização de um sonho antigo de construir uma família.
Histórias diferentes, mas atravessadas por um ponto em comum: não existe um único jeito de maternar.
Especialistas defendem que a culpa associada à maternidade é uma construção social e que ela pode ser desconstruída por meio de redes de apoio e de uma visão mais coletiva sobre o cuidado com as crianças.
Porque, no fim das contas, ter um filho muda a forma de enxergar o mundo — e também de compreender o amor em seu estado mais intenso e real.
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