O novo Desenrola Brasil começou hoje. Com ele, é possível renegociar dívidas com descontos que podem chegar a até 90%. Mas muitas instituições financeiras ainda não aderiram ao programa.
Isso porque as regras só foram publicadas no Diário Oficial da União na tarde desta terça-feira.
A liberação da estrutura do Fundo Garantidor de Operações, pelo Ministério da Fazenda, permite que os bancos registrem oficialmente as renegociações e ampliem a oferta aos clientes. Na prática, o programa passa a operar de forma mais completa, com maior alcance e integração entre as instituições financeiras.
O Desenrola Brasil é uma iniciativa do governo para ajudar pessoas endividadas a renegociar débitos com condições facilitadas. A expectativa é que o programa alcance até 27 milhões de brasileiros e viabilize a renegociação de cerca de R$100 bilhões em dívidas.
Em fevereiro deste ano, o Brasil tinha quase 83 milhões de pessoas inadimplentes, um por cento a mais do que no mesmo período do ano passado, segundo levantamento do Serasa. De acordo com a pesquisa, 47% das dívidas estão concentradas em bancos e instituições financeiras.
Mais da metade dos brasileiros está endividada: são cerca de 82 milhões de pessoas. Cada consumidor deve, em média, pouco mais de R$ 6.700 . Já o valor médio de cada dívida é de cerca de R$ 1.600.
Os dados mostram que o endividamento, na maioria dos casos, está ligado à sobrevivência financeira, ou seja, à tentativa de manter as contas básicas em dia. A perda de controle por consumo impulsivo representa apenas 13% dos casos.
A chamada “bola de neve” começa quando despesas essenciais passam a ser pagas com cartão de crédito.
Mais de 70% das dívidas estão no cartão de crédito. Em seguida aparecem os empréstimos pessoais, com 56%, e o cheque especial, com mais de 30%. São modalidades com juros elevados. Segundo a pesquisa, os principais motivos para o endividamento são a perda de emprego ou renda, que responde por 38% dos casos, e gastos emergenciais com saúde, que representam 16%.
Outra pesquisa mostra que o impacto das dívidas é maior entre quem ganha até um salário mínimo. Nesse grupo, mais de 40% se endividam por causa de despesas com saúde.
Em todos os casos, gastos do dia a dia, como alimentação e contas fixas, continuam sendo o principal motivo para o endividamento dos brasileiros.
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