No Rio de Janeiro, a reintrodução na natureza do tucano-de-bico-preto contribuiu para a recuperação da Mata Atlântica, o bioma mais afetado pela urbanização no Brasil.
Em 1968, os tucanos-de-bico-preto foram considerados desaparecidos da Floresta da Tijuca. A espécie começou a ser reintroduzida no parque na década seguinte. Mais de 50 anos depois, os efeitos da presença dessas aves são observados na vegetação.
Elas contribuíram para a perpetuação de espécies como a palmeira-juçara.
A dispersão de sementes pelos tucanos consiste no transporte de frutos para longe da planta de origem, aumentando as chances de desenvolvimento. Entre as espécies de sementes médias e grandes, destaca-se a palmeira Juçara, consumida com frequência pelas aves. Uma pesquisa indicou que elas realizam cerca de 76% da dispersão esperada para sementes desse porte e alcançam 89% da expectativa de recomposição da cobertura vegetal original.
O resultado da reintrodução abriu caminho para novas iniciativas no Parque Nacional da Tijuca, como a de espécies apoiadas pelo Projeto Refauna, incluindo a cutia e o macaco-bugio. Essas ações buscam recuperar funções ecológicas, como a dispersão de sementes.
A Floresta da Tijuca é uma das maiores áreas urbanas de Mata Atlântica do país e foi reflorestada no século XIX por iniciativa de Dom Pedro II. A reintrodução de espécies animais segue como fator relevante para a recomposição da biodiversidade do bioma.
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