No Rio de Janeiro, um time formado apenas por jogadores indígenas estreou no futebol profissional com um objetivo que vai além das quatro linhas: dar visibilidade, combater o preconceito e representar povos historicamente invisibilizados.
Do alto, a aldeia Mata Verde Bonita, em Maricá, revela o cenário onde nasceu um projeto inédito: um time formado exclusivamente por atletas indígenas que agora disputa o Campeonato Carioca.
Mas a proposta vai muito além do futebol.
Segundo Tupa Nunes, o objetivo principal nunca foi apenas conquistar títulos.
“O pensamento primeiro era formar o time, jogar o Carioca, não ser campeão. Mas sim dar visibilidade a todo esse povo que é muito sofrido.”
O Originários reúne atletas de diferentes regiões do país. Alguns já tiveram passagem pelo futebol profissional. Outros receberam agora a primeira oportunidade.
A busca por talentos alcançou comunidades indígenas em vários estados brasileiros.
“Eu tenho que ligar para empresários do Pará, Rondônia, Amazonas, Acre, Paraíba… onde eu sei que há comunidades indígenas, para encontrar talentos escondidos”, conta Huberlan Silva.
Dentro de campo, a identidade indígena também se manifesta. Alguns jogadores entram nas partidas com pinturas tradicionais no corpo, símbolos de proteção, memória e resistência.
“Isso significa muito para mim jogar com a pintura, porque representa meu povo e minha história”, afirma Edilson Karai Mirim.
O clube surge como ferramenta de afirmação e combate ao racismo.
Mais do que resultados esportivos, o objetivo é abrir caminhos e mudar percepções sobre os povos indígenas no Brasil.
E os sonhos são grandes.
A ideia é que o time se torne uma porta de entrada para oportunidades no Brasil e no exterior.
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