A auditoria feita pela atual gestão da Companhia de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae) aponta que o Banco Master não atendia aos critérios estabelecidos pela política de investimentos da companhia quando as negociações para a aplicação financeira começaram. O relatório afirma que a política foi alterada para que o banco pudesse receber o dinheiro e que isso foi feito após reuniões entre representantes da Cedae e do Master. A auditoria aponta suspeitas de negligência, dolo sistêmico, fraude e risco ao patrimônio da empresa.
Ao todo, o governo do estado do Rio injetou quase R$ 4 bilhões no Banco Master. Além dos 200 milhões da Cedae, outros R$ 3,7 bilhões foram aplicados pelo Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a servidores inativos do Rio de Janeiro.
De acordo com a Polícia Federal, o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, participou de um jantar pago pelo dono do Banco Master em maio de 2023, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Depois, em maio de 2024, Vorcaro convidou Castro para uma degustação de uísque, também em Nova Iorque. A suspeita é que Cláudio Castro teria favorecido o banqueiro com os aportes bilionários no Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no fim do ano passado.
Em nota, a nova gestão da Cedae afirmou que exonerou os responsáveis pelos aportes no Banco Master, mudou as políticas de investimentos e despolitizou a diretoria financeira da companhia. Também informou que a Cedae vai instaurar procedimento de tomada de contas para apurar as irregularidades.
Já o ex-governador Cláudio Castro disse que não participou da política de investimentos da Cedae e que a companhia é uma empresa que possui governança própria para tomada de decisões. Também afirmou que não procede a tentativa de relacionar a reunião com Vorcaro a investimentos feitos depois pela Cedae.
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