Começa hoje uma série especial de três reportagens sobre o avanço das bets no Brasil. Responsáveis pelo endividamento de muita gente, as plataformas de apostas online usam estratégias para atrair e manter os usuários jogando sem parar.
Neste primeiro episódio, você vai ver como esses mecanismos funcionam e por que especialistas defendem novas medidas para reduzir o impacto das bets na vida dos apostadores, inclusive com possíveis restrições à publicidade.
Jogue com responsabilidade. É o anúncio que aparece em plataformas de jogos e apostas online. Mas os mecanismos desses sites e aplicativos são pensados para atrair e reter o tempo gasto pelo usuário, no que elas chamam de "divertimento", mas que na verdade são feitas para viciar os usuários. São cores vibrantes, sons que prendem a atenção e abordagens que dão uma experiência familiar a quem joga. Além disso, uma rede de influenciadores na internet ensinam a apostar e anunciam falsos ganhos com estes jogos de azar tão fáceis de acessar a qualquer momento.
Apesar dos apelos a se jogar com responsabilidade, e da proibição a menores de 18 anos, as plataformas de cassino online são nocivas para muita gente. O vício em jogos online causa prejuízos que podem envolver toda a família.
Nas redes sociais, ex-usuários falam sobre o arrependimento de ter começado com as apostas online.
O Brasil já proibiu ou restringiu a publicidade de cigarros e de bebidas alcoólicas, mas não tem uma regulamentação publicitária sobre as bets. Enquanto o Congresso Nacional discute regras para este tipo de publicidade em projetos de lei, las plataformas de jogos de azar online estão visíveis todo o tempo, para todo mundo, nas camisas de times de futebol, nos comerciais de televisão e até no transporte público.
O Ministério da Saúde investiu R$ 2,5 milhões no serviço de teleatendimento para pessoas com 18 anos ou mais de famílias afetadas pelo prejuízo com as bets. O teleatendimento em saúde mental é realizado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e já tem mais de 3.000 pessoas cadastradas. O acesso ao serviço é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Também é possível que qualquer pessoa bloqueie o próprio acesso às plataformas de aposta de uma vez pela Plataforma de Autoexclusão.
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