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China, o país que não para: alta tecnologia para alimentar um bilhão

Repórter Brasil

No AR em 24/06/2026 - 19:00

Imagine ter que garantir alimentos para mais de um bilhão de pessoas. Esse é o assunto da terceira reportagem da série China, o país que não para. Da produção ao escoamento, alimentar tanta gente é questão estratégica. Hoje o governo chinês garante que não há fome no país, mas nem sempre foi assim. Desde a antiguidade, períodos de fartura foram seguidos de outros onde a falta de alimento era sentença de morte para os moradores mais pobres do império chinês.

Estamos exatamente em um vilarejo que tem essa fazenda aqui. Era uma fazenda que virou uma indústria a partir de dois princípios impostos pelo governo chinês: descentralizar completamente a produção, qualquer região da China tem que ser produtiva, a partir de uma modernização que eles chamam ao estilo chinês.

O padrão de produção melhorou com incentivos do governo. Os maiores centros de criação de animais recebem vacinas e recursos para melhoramento genético. Para os moradores do condado de Tang, foi o impulso necessário. Antes, os animais eram criados com mais dificuldades no pasto seco e pedregoso. Hoje, as ovelhas criadas no condado ajudam a alimentar o país todo. Esta empresa é a Nongsheng e lidera a tecnologia do setor.

“Esse é o sentimento de entusiasmo que encontramos no processo de produção. Ao mesmo tempo, estamos constantemente atualizando e ajustando detalhes. Essa é a nossa sensação”, afirma Wu Qiupeng, subdiretor da plataforma Nongsheng. 

Em 2020, o investimento governamental foi de 150 milhões de yuans, o equivalente a R$ 114 milhões, para trazer mais eficiência e ter 100% de energia solar na produção. Resultado: de produtores artesanais, mais de 6 mil famílias viraram fornecedoras da indústria em 50 vilas cadastradas e certificadas.

Atualmente, da quantidade de ração ao número de nascimentos, abates e de vendas, tudo vai para um aplicativo que monitora por satélite as fazendas. Com tudo em tempo real e dados na palma das mãos, as vendas ficaram mais fáceis.

“O preço de compra dos materiais agrícolas mais básicos foi reduzido de 5% a 10%. Os agricultores podem obter canais de venda mais rapidamente, o que pode ajudá-los a reduzir o tempo de venda em cerca de 5 a 7 dias”, explica Wu Qiupeng.

Agora, nossa parada é na Rui Deli, considerada a primeira empresa de carnes mecanizada na China. Parte do processo ainda é manual, mas da limpeza das carnes até a embalagem já foi possível reduzir o trabalho humano. Há etapas com apenas 2 pessoas no galpão. A mecanização fez a produção diária saltar de 800 para 1500 animais.

Todo espaço é aproveitado 

Ao longo de toda nossa viagem pela China, uma imagem ficou marcada: produções de alimento em qualquer pequeno terreno disponível. Pelas estradas é possível ver pedaços minúsculos de terra transformados em hortas. Aos poucos, a prática também está chegando às cidades.

Fomos conhecer Tayuanzhuang, que já foi um dos vilarejos mais pobres do país. Por lá, já faltou moradia, emprego e comida. Mas o vilarejo vem sendo modernizado há pelo menos 20 anos. E desde 2020, uma empresa estatal administra o desenvolvimento, garantindo que pequenas fazendas possam alimentar quem mora perto. A meta é distribuir fazendas roxas, como esta, pelo país. Esta unidade demonstrativa já produz diariamente as saladas para famílias da redondeza.

Tomates em ambiente controlado, crescendo em ramas. Folhosas que estão com solo protegido ou às vezes até sem solo, com a solução líquida para fertilização em ambiente controlado, tudo orgânico. Bananeiras que crescem com adubo orgânico na terra. Nada disso é novidade no Brasil, nós temos a Embrapa. A diferença é que essa fazenda está colocada no meio da cidade. Tem edifício de um lado e do outro na rua. Está espalhada a ideia pelo país inteiro.

Aqui, tudo é monitorado. Os painéis espalhados pela fazenda mostram se está tudo bem. Em caso de algum parâmetro fora do ideal, a correção é imediata. O projeto ainda é experimental e busca adesão dos chineses, mas a ideia é transformar até o concreto em base da fazenda.

“Essas fazendas são perto das cidades. É mais fácil atrair turistas e também mostrar aos habitantes das cidades e regiões como é a tecnologia agrícola mais avançada. Para os cidadãos, é muito fácil compreender a segurança dos alimentos e colher os vegetais”, pontua Zhou Shije, diretor-geral da Fazenda Inteligente Tongfu.

Episódios 

Reportagem 1 - China, o país que não para: automação impulsiona setor de logística 

Reportagem 2 - China, o país que não para: veículos movidos a hidrogênio

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Criado em 24/06/2026 - 19:55

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