O Repórter Brasil apresenta agora uma série especial intitulada “China, o país que não para”. O repórter cinematográfico Gilvan Alves e o apresentador Guilherme Portanova vão mostrar, ao longo de seis reportagens, alguns aspectos da economia e do progresso tecnológico de uma das maiores economias do planeta. A equipe viajou ao país a convite do China Media Group. Na primeira reportagem, a gente mostra como planejamento e investimentos públicos podem fazer diferença em um dos setores-chaves da economia, o de logística.
Se as nações nascem com algo que se pode chamar de destino, parece que o da China é crescer. Registros históricos mostram que a população já era de dezenas de milhões de habitantes no ano 200 a.C. Seguiu como a maior população por séculos e, agora, também registra o maior crescimento econômico do mundo todos os anos. Na série de reportagens que o Repórter Brasil inicia hoje, você vai conhecer um pouco mais sobre a civilização que não sabe parar.
Nem bem desembarcamos em um dos três aeroportos de Pequim, já tínhamos compromisso marcado.
Foram 32 horas de viagem entre Brasília e a capital chinesa. Mesmo com o trânsito menos movimentado do domingo, e com ruas que mais parecem tapete, levamos mais de 1 hora para cortar a metrópole de 23 milhões de habitantes. Primeira parada, JD Logística, em Tongzhou.
A empresa dona destes galpões faz parte de conglomerado que começou vendendo peças de computador e outros eletrônicos na internet. Só que o destino chinês bateu à porta. Na onda de startups em 2003, a JD recebeu investimentos e deu um salto. De loja virtual, avançou para as áreas de soluções industriais, tecnologia digital, com uma estrutura de entregas ambiciosa: um grande centro de recebimento e velocidade no registro e no despacho dos produtos. E metas cada vez mais ousadas.
Um dos segredos pra esse crescimento impressionante dessa empresa de logística foi misturar logística, ou seja, sistemas automatizados, tanto do processamento dos produtos como para a entrega, com um enorme contingente de trabalhadores. São mais de 600 mil empregados que atendem essa empresa. E você sabe qual é a meta e qual tá sendo o compromisso com o consumidor? Se você compra até as 11h, você recebe na sua casa até 23h.
As receitas alcançaram a marca de US$ 158 bilhões em 2024, crescimento de 18% em relação ao ano anterior. Segundo a empresa, o ciclo completo máximo de um produto dentro da empresa é de 30 dias, o mais rápido do mundo, superando gigantes do setor, como a Amazon. E a eficiência aumentou com inteligência artificial. Em locais remotos, as entregas já são feitas por drones. E 35% da atividade logística são executadas por robôs. Fatores que caminham afinados com visão da empresa que pretende ter a logística mais confiável do mundo.
Normalmente quando se fala de inteligência artificial, tecnologia e automação, a primeira coisa que vem à cabeça é o seguinte: desemprego. Como é que vai ter trabalho pra tanta gente se tem tanto robô ocupando espaço de trabalho?
“Essa é uma questão importante. Estamos utilizando cada vez mais robôs para substituir as pessoas em tarefas repetitivas, pesadas e desgastantes. O objetivo não é substituir os trabalhadores, mas permitir que eles se concentrem em atividades de maior valor agregado, como tomada de decisões, gestão e operações”, explica Lui Hui, diretor-geral da assessoria de imprensa JD.
A sede da JD fica em uma espécie de Vale do Silício em Pequim. As maquetes mostram cada uma das unidades da empresa. O conglomerado desembarcou há um ano e meio em São Paulo e Salvador. Por enquanto, sem serviços de entrega. A empresa presta suporte para uma das montadoras de carros chineses no Brasil. Mas há interesses de expansão.
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