Na quinta reportagem da série China, o país que não para, a gente fala sobre o desafio de modernizar o motor da economia chinesa. Apesar das energias renováveis e menos poluentes, a China ainda depende da queima de carvão. Mas isso vem mudando nos últimos anos.
Um país precisa de energia para seguir crescendo e não parar. Se o Brasil tinha o potencial das hidrelétricas, a força da China era o carvão mineral: muito eficiente para gerar energia, mas com um preço alto em emissões de poluentes e gases do efeito estufa. Hoje, o mineral segue sendo o motor que não deixa a China parar, mas a questão ambiental virou um desafio importante.
Aproximadamente 60% de toda energia que abastece as indústrias, as pessoas na China, vem de usinas como essa, de carvão. Claro que as emissões são maiores, mas os esforços são bastante acelerados para tentar reduzir o impacto ambiental de unidades como essa.
A equipe da TV Brasil visitou um complexo que fica no condado de Pingshan, onde começou a revolução comunista em 1949. Como a China trata energia como fator estratégico, a empresa é pública, gerida pelo Estado. Além de abastecer a população, o comércio e a indústria, a queima poluente do carvão mineral tem outra utilidade fundamental: aquecer a população no inverno rigoroso, quando os termômetros despencam de quase 40 para até 10 graus Celsius negativos.
Para os chineses, resolver a questão ambiental traz junto uma equação difícil de solucionar: como reduzir emissões sem parar o crescimento chinês e congelar a população no inverno?
Atualmente, são necessários 237 gramas de carvão para gerar 1 grau de temperatura e converter o calor em energia. A usina de Xibaipo tem seis unidades em atividade. Outras duas estão em construção. A meta é aumentar a geração de 2.400 MW para 3.800 MW de energia, o suficiente para abastecer quase dois milhões de pessoas. As novas unidades virão com novas tecnologias para gerar energia queimando menos carvão.
Se não há uma perspectiva de médio prazo para a desativação das chaminés em forma de copo, a China também investe em energias sustentáveis e inaugurou duas das três maiores hidrelétricas do mundo. Juntas, Três Gargantas e Baihetan, ambas no emblemático Rio Amarelo, geram o mesmo que 16 usinas de Xibaipo.
O governo chinês assumiu o compromisso de instalar 1,2 GW de matrizes limpas até 2030. A meta foi alcançada 5 anos antes do prazo. Nós visitamos esta central no condado de Tang.
Vou pedir licença e gravar de óculos de sol, porque dá só uma olhada. São 39º de temperatura e nós estamos em uma fazenda solar, uma fazenda de energia". Essa empresa não tem placas solares, elas estão distribuídas por outras empresas aqui da região, mas o trabalho aqui é manter funcionando essas baterias. A gente tem 80 baterias enormes de lítio recebendo energia durante o dia, claro, com muito sol como você está vendo aqui. E aí esse armazenamento é dimensionado numa central lá dentro e depois para redistribuição para toda população aqui da região e também para todas as empresas no horário da noite.
O parque de baterias está instalado nesta empresa estatal e recebe a energia de milhares de placas solares. O total armazenado é de 400 MW por dia, que dá para manter 600 mil pessoas por até 2 horas. A energia fotovoltaica é um complemento para um sistema complexo e que precisa de segurança e estabilidade, para evitar interrupções. A China encara investimentos em unidades como esta como um caminho sem volta.
Episódios
Reportagem 1 - China, o país que não para: automação impulsiona setor de logística
Reportagem 2 - China, o país que não para: veículos movidos a hidrogênio
Reportagem 3 - China, o país que não para: alta tecnologia para alimentar um bilhão
Reportagem 4 - China, o país que não para: medicina tradicional aliada à tecnologia
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