A sexta reportagem da série China, o país que não para mergulha no universo da tecnologia. Das máquinas e robôs até uma farmácia que funciona sem atendentes. Tudo isso, sem esquecer as tradições milenares.
O trabalho de hoje começa nesta estação de trem de alta velocidade. Na nação das tradições milenares, nosso destino é Tangshan. A cidade de 1,6 milhão de habitantes foi devastada pelo terremoto na década de 1970, mas renasceu como um dos principais polos de tecnologia. Aqui, a mina considerada a mais rica da China foi desativada depois de 148 anos de operação. Desde 2009, é o Parque Nacional de Minas de Kailuan e virou um dos atrativos ambientais da cidade.
Ele não é o único. As imagens agora são do Nanhu Parque, o Parque do Lago Sul, construído sobre área de mineração. Os resíduos que se acumularam formaram ilhas dentro do lago ou morros de onde é possível ter a vista da cidade.
Apesar do verde por toda parte, o que mais atrai turistas a Tangshan é a tecnologia. Fomos recebidos no polo de inteligência artificial e robótica por esta simpática anfitriã robô.
A cidade recebeu importantes investimentos para desenvolver soluções para o dia a dia das pessoas. E uma delas veio para salvar vidas. O robô bombeiro entra em locais onde uma pessoa não sobreviveria, faz o reconhecimento do local e pode iniciar o combate ao fogo. O fabricante fala que um deste pode fazer o trabalho de oito pessoas em uma situação de emergência.
Farmácias autônomas
Essa outra tecnologia aqui já está sendo utilizada em três cidades da China. Essa aqui atrás é uma farmácia totalmente autônoma. Como é que funciona? Os remédios chegam aqui e aí uma pessoa vai colocar esses remédios nessa caixa aqui embaixo. A partir daqui, a farmácia vai distribuir conforme o código de barras aqui dentro, nessas prateleiras aqui. Aí chega um paciente que foi ao hospital e recebeu uma receita médica. Ele vai nesse terminal aqui e coloca a identidade. Quando ele escanear sua identidade, já vai estar registrado no serviço de saúde qual o remédio que ele precisa, e aí, ao entrar aqui nessa esteira, os remédios vão descer conforme o médico receitou.
Este galpão industrial em Tangshan é de propriedade da Baichuan, empresa que exporta para 20 países, mas não fechou seu parque para guardar os segredos; fez o oposto. As ideias desenvolvidas aqui foram compartilhadas com 200 empresas, gerando novos produtos e negócios.
“Não tem ninguém aqui”
Planejamento e investimentos estatais estão na base do crescimento chinês. A Shougang Jingtang é nossa última parada na China e vale como exemplo. A empresa foi criada em 1911 para extração de minério de ferro. Para diminuir os custos de produção e facilitar o escoamento, a mineradora, com apoio estatal, mudou o parque industrial para o litoral norte do país, um processo de duas décadas de mudança de endereço e também de desenvolvimento tecnológico. A nova fábrica hoje é automatizada, por isso este aviso no guindaste indica que ali não tem ninguém. Os funcionários foram treinados para outras atividades, como negociação e dessalinização de água para uso na indústria.
Essa aqui é apenas uma das unidades da empresa e ela é capaz de produzir 2,1 milhões de toneladas de alumínio por ano. Para você ter uma ideia, e deixar claro, é mais do que a demanda anual do Brasil para o produto.
No mesmo local, a antiga faixa de areia no meio do mar foi ampliada e virou um dos maiores complexos portuários do mundo. O Caofeidian é um porto ligado a uma zona especial de comércio, combinação chinesa que facilita o processo entre produção e exportação. O que sai daqui tem como destino clientes em 70 países. A primeira carga com 400 mil toneladas de ferro brasileiro chegou ao porto em maio deste ano. O local é tão importante para o comércio mundial de ferro que aqui nesta baía é estabelecida a cotação internacional do metal que vai ser vendido no mundo todo.
“O custo é definitivamente uma vantagem. Como eu disse antes, a maior parte do transporte normal é feita por barco. Depois que desembarcamos, não precisávamos mais transportar usando carros tradicionais. Assim, o custo do transporte foi reduzindo. Restou apenas o custo do transporte marítimo”, explica Pan Biao, subdiretor do departamento de laminação de aço.
Do passado marcado por atividades poluentes e um terremoto que matou cerca de 200 mil pessoas em 1976, a história de Tangshan mostra uma cidade que, como a China, resolveu não parar. Com uma paisagem verde exuberante, transformada em polo de tecnologia e robótica, não é à toa que a cidade é conhecida como a fênix chinesa, pássaro sagrado que renasce depois das próprias cinzas.
Talvez uma das coisas mais impressionantes nessa nossa viagem à China não tenha sido a descoberta de trilhões e trilhões em investimento em tecnologia, inovação, inteligência artificial, numa tentativa de modelar como será a sociedade no futuro. Talvez o mais importante de se perceber aqui é como os chineses conseguiram combinar o mundo do futuro com a tradição do passado. Essa aqui é uma praça construída há 1.300 anos. Esse era um ponto importante de poder militar e religioso. Fica num ambiente completamente diferente do que a gente viu ao longo de toda essa viagem.
Episódios
Reportagem 1 - China, o país que não para: automação impulsiona setor de logística
Reportagem 2 - China, o país que não para: veículos movidos a hidrogênio
Reportagem 3 - China, o país que não para: alta tecnologia para alimentar um bilhão
Reportagem 4 - China, o país que não para: medicina tradicional aliada à tecnologia
Reportagem 5 - China, o país que não para: a corrida por energia verde
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