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Especial Povos do Velho Chico - conheça a tradição das marisqueiras

Repórter Brasil

No AR em 03/06/2026 - 19:00

O Rio São Francisco é fonte de sustento, cultura e identidade para milhares de brasileiros. No primeiro episódio da série Povos do Velho Chico, produzida pela TV Universidade Federal de Sergipe, emissora da Rede Nacional de Comunicação Pública, você vai conhecer a história de mulheres quilombolas que mantêm viva a tradição da pesca artesanal às margens do rio.

De beleza singular e história popular, o Velho Chico une povos dos mais velhos aos mais novos, dos quilombolas aos Chocó. O São Francisco é um só.

A viagem para conhecer mais de perto os povos do Velho Chico começa com a história de pessoas negras que encontraram no rio um refúgio da escravidão, em meados do século 17 como uma igreja localizada entre os estados de Sergipe e Alagoas.

Construída há cerca de 400 anos, a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres foi construída em 1694 pelos jesuítas, com a ajuda de pessoas escravizadas. Também se conta que a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres foi encontrada por um caçador em uma pedra. Levada para a comunidade da Barra do Ipanema, a imagem retornava ao local, que passou a funcionar como um farol espiritual.

Pessoas escravizadas que fugiam dos mais de 20 engenhos existentes na região naquela época encontravam abrigo ali. A área tinha uma vegetação mais densa de manguezal, o que favorecia a sobrevivência dessas populações.

A bacia do São Francisco abriga mais de 30 comunidades quilombolas, que carregam memórias de luta pela terra e de sobrevivência na água. No Baixo São Francisco sergipano, são sete territórios reconhecidos, com mais de 1.200 famílias que mantêm até hoje uma relação profunda com o rio.

São cerca de 300 remanescentes de quilombo que têm a mariscagem como principal fonte de renda na região da foz do Rio São Francisco.

A coragem para entrar na lama contrasta com a sutileza do assobio usado para atrair o aratu. O marisco, segundo as marisqueiras, responde aos sons e aos cantos que fazem parte da tradição da coleta.

A casa de taipa que abriga a sede da associação revela a simplicidade de quem vive do pescado. Foi construída coletivamente pelos moradores para servir como espaço de encontro da comunidade quilombola do povoado Carapitanga.

O trabalho com o aratu é considerado um dos mais difíceis. Além da coleta, há todo o processo de limpeza, torra e armazenamento. As marisqueiras relatam que o esforço necessário nem sempre é reconhecido por quem compra o produto.

Os problemas ambientais também se acumulam ao longo do rio. Na região, a expansão da carcinicultura, com a instalação de viveiros de camarão, tem avançado sobre áreas de manguezal. Como consequência, o marisco praticamente desapareceu de parte do leito natural.

Especialistas apontam que a pesca artesanal e a carcinicultura têm objetivos distintos. Enquanto uma está ligada à subsistência das comunidades e à conservação ambiental, a outra é voltada ao lucro.

A realidade dessas guardiãs do Velho Chico chamou a atenção de pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe. Além da importância econômica do trabalho realizado por essas mulheres, os estudos apontam que elas muitas vezes são negligenciadas pelo poder público.

Há quase dois anos, cerca de 150 marisqueiras de sete municípios ribeirinhos são acompanhadas por uma equipe da universidade. O objetivo é mapear as condições de vida, saúde, trabalho e renda dessas mulheres.

Durante as avaliações, os pesquisadores observaram sintomas de ansiedade e depressão, além da sobrecarga provocada pela tripla jornada: o trabalho no mangue, os afazeres domésticos e os cuidados com os filhos.

Aqui no Repórter Brasil, você acompanha versões especiais da produção. Os episódios completos estão disponíveis no canal da TV UFS no YouTube.

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 03/06/2026 - 22:10

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