O Brasil tem até 15 de julho para conversar com os Estados Unidos e evitar essa sobretaxa de 25% sobre os produtos nacionais. Até lá, a estratégia do governo é negociar até o último minuto, mas sem usar o Pix como moeda de troca. Ou seja, blindar o Pix contra qualquer interferência norte-americana.
O presidente Lula foi o primeiro a comentar essa sobretaxa num evento em Goiás. Disse que vai negociar para tentar reverter a decisão, mas que, se for preciso, o governo pode usar a lei da reciprocidade e buscar novos mercados para os produtos brasileiros.
O vice-presidente Geraldo Alckmin conduziu, nesta terça-feira (2), uma reunião emergencial. Ele classificou o novo tarifaço como injusto e totalmente descabido, mas também aposta no diálogo para evitar que as cobranças entrem em vigor.
Amanhã (3), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, vai tentar conversar, em Paris, com o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. Ele faz parte do órgão norte-americano que anunciou essa sobretaxa de 25%, depois da conclusão de uma investigação aberta em julho do ano passado, por ordem de Donald Trump, com base na chamada Seção 301.
O documento diz que o Brasil adota práticas comerciais que prejudicam empresas norte-americanas, como falhas no combate ao desmatamento e à corrupção, acordos comerciais com outros países e até a implementação do Pix, que, na visão dos Estados Unidos, teria reduzido o espaço de empresas americanas de cartões no mercado brasileiro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que também participou dessa reunião emergencial, considera a possibilidade de ir pessoalmente aos Estados Unidos, mas já rejeitou os argumentos apresentados no relatório e disse que as premissas utilizadas na investigação estão desatualizadas.
Além do desgaste econômico, esse assunto também gerou forte repercussão política.
O Palácio do Planalto soltou uma nota classificando como "traidores da pátria" integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, em especial o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro. Eles foram acusados de atrapalhar as negociações do país com os Estados Unidos, colocando objetivos eleitorais e familiares acima dos interesses econômicos do Brasil.
Em fala pública, o presidente Lula acusou o senador de ter ido pessoalmente pedir a Donald Trump que interferisse nas decisões brasileiras. Isso tem relação com a viagem de Flávio a Washington, na semana passada, quando ele se encontrou com Trump e outras autoridades norte-americanas.
Em resposta, Flávio declarou nas redes sociais que pediu a Trump, na semana passada, que não taxasse as empresas brasileiras e anunciou o envio de uma carta aos Estados Unidos reforçando esse pedido. O senador também alegou que os Estados Unidos enxergam o governo brasileiro com desconfiança, e a punição poderia ter relação com o tom, nas palavras de Flávio, agressivo que teria sido adotado por Lula em relação aos norte-americanos.
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