O artesanato de miriti é um dos maiores símbolos da cultura amazônica e garante o sustento de centenas de famílias no Pará. Hoje (14), o segundo episódio da série especial da TV Cultura do Pará mostra como esse saber tradicional é preservado e como se transforma em renda para os pequenos produtores da região.
Em Abaetetuba, a arte do miriti atravessa gerações e representa um fazer tipicamente amazônico. E não tem como falar de miriti sem lembrar dos tradicionais brinquedos que colorem as ruas de Belém durante o Círio de Nazaré.
Seus pequenos negócios transformam a arte amazônica em renda e sustento, movimentando a economia criativa da região.
Mestre Miranda (artesão): "Em cima da minha venda do brinquedo de miriti, esse prédio que você está vendo aqui, eu consegui com o brinquedo de miriti. E consegui criar meus filhos com o brinquedo de miriti."
Em 2005, surgiu a Miritong, associação criada para preservar e fortalecer a arte do miriti. E a televisão também ajudou a impulsionar esse movimento.
Valdeli Costa (artesão): "A Miritong surgiu lá nos bastidores da TV Cultura. A gente escutava muita rádio aqui, a rádio Cultura, num outro ateliê que a gente tinha. E aí anunciava na rádio: 'Apoio Rádio e TV Cultura'. Aí os meninos: ‘pô, será que eles não apoiam a gente?’. Aí nós saímos para Belém, levamos uns brinquedinhos, e aí... daqui a pouco na sala da presidência lá, e aí criamos a Miritong, ela nasceu ali. E aí nós tivemos todo o aporte. E de lá para cá, então, a gente conseguiu fazer as parcerias, com a Ufra, com a Embrapa, o Museu Goeldi, com o FPA".
Desde 1999, o Sebrae apoia essa cadeia produtiva. Com capacitações e incentivo ao empreendedorismo, os artesãos tiveram acesso à profissionalização, desenvolvendo design, novos produtos e acessando novos mercados sem perder a identidade regional.
Igor Silva (gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae/PA): "O miriti talvez seja uma das cadeias mais sustentáveis que nós temos aqui no nosso estado, em termos de cadeia organizada. O Sebrae começou esse trabalho lá fomentando o negócio miriti. Então, nós, inicialmente, trabalhamos muito forte a questão da organização deles enquanto negócio, enquanto empreendedores. Trabalhamos a organização financeira, o planejamento, o marketing, enfim, ferramentas de negócio para que eles pudessem se entender enquanto empreendedores. E sair do foco só do brinquedo, mas também para outros produtos. Como a gente vê hoje muita inovação ainda vindo do miriti. E que a gente está só no começo, tem muita coisa ainda pela frente”.
Agora, o miriti entra em uma nova etapa. Artesãos, pesquisadores e instituições trabalham pelo reconhecimento da indicação geográfica do miriti de Abaetetuba. Um processo que pode valorizar ainda mais a produção local e a cultura amazônica.
Gracialda Ferreira (professora e pesquisadora da Ufra): "É um selo, um certificado, de que aquele brinquedo tem a indicação do seu local, de onde ele se originou, de onde ele trouxe a sua origem, e que também é uma atividade sustentável, que garante que ela tem uma sustentabilidade e ela promove conservação. Óbvio que tem muitos parceiros além da universidade. O próprio Sebrae, lá em Abaetetuba. Tem outras universidades, a UFPA, a própria Embrapa, o Ideflor-Bio. Então, são muitos parceiros que estão nesse trabalho, avançando nisso. Então, por isso tem que ser uma coisa que eles querem e não que nós queremos para eles”.
O miriti segue moldando histórias. Pequenos negócios nascidos às margens dos rios amazônicos. Em Abaetetuba, cada peça de miriti carrega arte, memória e respeito à floresta.
Primeira reportagem da série - Miriti: o manejo sustentável do miritizeiro
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