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Bioeconomia: cores e sabores da Amazônia 

Repórter Brasil

No AR em 07/07/2026 - 19:00

Manter a floresta em pé também pode ser um bom negócio. Na Amazônia, empreendedores têm apostado na recuperação de áreas degradadas, no cultivo de espécies nativas e na valorização dos produtos da floresta para gerar renda e fortalecer a bioeconomia. Veja no segundo episódio da série especial. 

Uma imensidão verde é a região amazônica. São mais de 5 milhões de quilômetros quadrados da maior biodiversidade do mundo. Isso graças às políticas ambientais do Brasil para conter o desmatamento da região. Em 2025, a área desmatada caiu cerca de 24% em relação a 2024. Mas manter a floresta em pé ainda é um enorme desafio. 

Na cidade paraense de Santarém, onde o barrento Rio Amazonas encontra o transparente Rio Tapajós, um casal proprietário de um pequeno negócio tem buscado justamente reflorestar áreas degradadas.

“O viveiro pegou uma demanda agora de produzir 200.000 mudas. E entre elas a gente tem o jatobá, o paricá, la andiroba e desse lado daqui a gente tá com o ipê amarelo. Todas que vão para uma área de restauração ecológica que vai acontecer aqui no Pará mesmo. Eu sou veterinária e eu trabalhava com resgate de animais silvestres. Só que enquanto eu estava num estado, ele estava em outro. E assim a saudade, né, querendo tá perto da família, a gente decidiu abrir uma empresa. Em 2017, quando a gente procurou o Sebrae para abrir essa empresa tudinho, a gente sentiu uma dificuldade muito grande de encontrar essas sementes, como castanha, cumaru, era muito difícil. A nossa identidade é eu e ele com fauna e flora junto”, conta Adna Azevedo, empreendedora, médica veterinária e dona do Viveiro Floresta Ardosa. 

“A ideia era que financiadores de qualquer lugar do mundo dissessem assim: 'Cid, olha, eu vou te dar tantos mil reais, vai lá com as escolas, vai lá com as instituições e doe essas mudas'. Só que o financiador pós-Covid todo mundo desapareceu, né? Então, começamos a divulgar o trabalho para vender as mudas para recomposição, para trabalhos de agrofloresta”, relata Sid Matos, empreendedor. 

Adna e Sid uniram os conhecimentos adquiridos na universidade com os ensinamentos de toda uma vida. E agora decidiram repassar para todas as gerações qual é o valor de manter a floresta em pé.

“Eu tenho uma filha de 3 anos que ela vive correndo por aqui. E se eu tô mexendo numa muda, ela tá me corrigindo. Ela: 'Mãe, não é assim'. É do outro jeito. Então, hoje a importância desse trabalho que a gente desenvolve, é mostrar para ela que a gente precisa sim de uma floresta em pé, para o futuro deles, não simplesmente só derrubar árvores para construir moradias, para construir outros tipos de negócio”, destaca Adna Azevedo. 

"É um custo para manter a floresta em pé, porque na hora que eles vigiam o lago, eles mantêm o lago, mantêm a floresta, mantêm a biodiversidade, mantêm os animais... Mas eu acho que ao mesmo tempo é positivo, porque a gente vê que tem uma série de iniciativas que estão dando certo e a gente tem que incentivar que elas continuem assim, né?”, afirma Maria Sylvia Saes, FEA/USP. 

Floresta que movimenta a cidade 

É possível porque mostra que a floresta em pé movimenta a economia local. Como é o caso do aumento da produção de árvores frutíferas da Amazônia. Açaí, cupuaçu, piquiá… As frutas que vêm dos pequenos agricultores são vendidas aqui, no centro de Santarém. É no entra e sai desta feira que encontramos frutas variadas. São cores e sabores típicos da Amazônia. E foi aqui também que conhecemos o empreendedor Tiago.

Todas as semanas ele passa por aqui e leva produtos que serão usados na sua empresa.

“A gente vende os derivados da mandioca, que são as farinha, tapioca... Gratificante saber que tá, o produto tá fazendo sucesso aí, né?”, se alegra William da Silva, que é vendedor.

Se da barraca do William vêm a tapioca e os derivados de farinha, da banca da Kelly vêm o cupuaçu, o jambo e outras frutas.

"Quando eles levam para as empresas como sorveteria, pousada, as nossas frutas daqui, fazem com que as pessoas que frequentam lá procurem por essas frutas aqui, que às vezes não tem, tipo, nos mercados, né?”, conta a microempresária Kelly Reis 

E os produtos vão da feira direto para a sorveteria do Tiago. Mas não é sorvete, é gelato, não é mesmo Tiago?

"O sorvete é aquela coisa mais industrial, com mais gordura, com mais ar. O gelato por sua vez tem a preocupação de ser um produto mais fresco, mais artesanal. Os frutos, os preparos das castanhas, uso de ingredientes frescos que a gente acabou de pegar na feira… Então ele não tem como ficar um ano na sua geladeira”, explica Tiago Silva, proprietário da Boto Gelato. 

“A gente tem talvez no imaginário, né, da bioeconomia, da biodiversidade, muita questão extrativista na Amazônia, mas a gente tem hoje a possibilidade de fomentar negócios inovadores que trabalham com essa mescla do saber ancestral com o conhecimento científico, para agregação de valor, para geração de produtos mais de vanguarda tecnológica, relacionados aí a alguns setores como fármacos, cosméticos, enfim, próprios superalimentos, né, alimentos mais saudáveis e que têm um apelo de inovação e um apelo mercadológico importante”, destaca Cadu Santiago, do Sebrae. 

Há 10 anos, Tiago criou a Boto Gelato, que busca fortalecer os produtores locais. E é com a junção de produtos da Amazônia que ele cria sabores inusitados. O mais vendido por aqui? Um gelato que leva o nome de um patrimônio cultural imaterial do Brasil: o Carimbó.

"Tapioca granulada, a geleia de cupuaçu, a gente usa castanha-do-pará e flocos de coco. São vários ingredientes. É um carimbó, é uma mistura muito doida, que dá certo. O nome dos nossos produtos também são homenagens que a gente dá para um pedaço da cultura do Pará da Amazônia, né? 

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Reportagem 1 - Bioeconomia: turismo comunitário gera renda com a floresta de pé 

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Criado em 07/07/2026 - 20:25

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