Argentina está entre os principais importadores e também exportadores de produtos brasileiros. Especialmente quando se trata de veículos e autopeças.
Brasil e Argentina têm uma relação comercial histórica, consolidada por décadas. No ano passado, inclusive, tiveram recorde nas transações comerciais. Mas, neste ano, a história já está um pouco diferente. Ao longo dos seis primeiros meses deste ano, as exportações do Brasil para a Argentina caíram mais de 19% e as nossas importações cresceram cerca de 4%. Ainda é uma relação superavitária para o Brasil, mas a corrente comercial entre os dois países encurtou cerca de 10%.
Para se ter uma ideia, nas exportações de tubos de aço, ferros de aço, houve uma queda de mais de 40% nas vendas do Brasil para a Argentina só no mês de junho.
O setor mais expressivo, simbólico é o automotivo. Nesse caso, a queda foi de 29%. Tanto que o setor, a Anfavea, que é a associação que reúne o setor de fabricantes de veículos, já trabalha com uma queda nas exportações de veículos este ano no tamanho e peso da Argentina. Uma queda de mais de 12% só em junho. A redução no número de veículos exportados foi de mais de 60 mil veículos. O Brasil está perdendo espaço lá para a China, para os elétricos chineses, mas não é só isso.
A Argentina tem também estreitado relações comerciais com os Estados Unidos. Fizeram até um acordo de livre comércio que foi assinado agora em fevereiro, ainda não está valendo, mas já revela a tendência do comércio da Argentina. Agora, são grandes parceiros comerciais, Argentina e Estados Unidos têm cadeias produtivas complementares e são as duas principais economias do Mercosul.
O Brasil acabou de assinar o acordo Mercosul-União Europeia, aguardado há mais de uma década, ele começa a entrar em vigor. Assinado também, uma tentativa, Mercosul e Coreia do Sul. E agora o que se espera é que essas farpas, esse ataque feito por Javier Milei possa acabar repercutindo nesses acordos comerciais que precisam ser colocados em prática entre o Mercosul e outras nações.
O economista Roberto Luis Troster diz que "diplomaticamente não foi uma cortesia o que o presidente argentino fez. Ele tinha que informar, fazer uma visita oficial, visitar alguma personalidade do governo brasileiro, não só vir para um evento privado. Isso diplomaticamente não se faz. Ele não é mais um deputado, um cidadão. Ele é presidente de todos os argentinos. A maioria dos argentinos não aprova esse comportamento dele. Agora se fez o acordo União Europeia-Mercosul, quer dizer, Argentina e Brasil juntos. Está se falando de um acordo Mercosul-Japão. São os dois países juntos. Então tem que trabalhar junto. É como uma família. Sabe, os brasileiros até chamam os argentinos de "los hermanos", né? E são de fato irmãos. Agora, como todo irmão pode ter diferenças. Agora, você não pode extrapolar como foi feito. Mas o mais provável, eu acho, que o pragmatismo deve prevalecer e isso vai ser mais um incidente que não representa o que a maioria dos argentinos acha do Brasil.
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