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Brasil reage a tarifaço dos EUA, mas mantém canais de diálogo abertos

Repórter Brasil

No AR em 16/07/2026 - 19:00

Autoridades brasileiras fizeram um longo pronunciamento hoje sobre as tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos. O tom foi duro, mas aberto ao diálogo caso seja o interesse de empresários norte-americanos. Fluxos comerciais seguros e por longo tempo são interessantes para todos os envolvidos, independentemente do peso econômico de cada lado do negócio. O comércio internacional é uma ferramenta de equilíbrio das economias. Nenhum país dispõe de todos os recursos existentes. Por isso, cooperar sempre foi o melhor caminho.

A confirmação da sobretaxa de 25% pelos Estados Unidos mobilizou o governo brasileiro ao longo do dia. O presidente Lula convocou os ministros pela manhã, foram publicadas notas e duas coletivas de imprensa durante a tarde resumiram a posição do Brasil, que é de repúdio a essa decisão norte-americana. A avaliação é que a taxação é injusta e descabida, sem argumentos técnicos, além de ser vista como uma interferência externa indevida com motivação política.

A primeira medida do governo será interna, de proteção às empresas e aos setores afetados, que serão ouvidos e, depois, socorridos por meio do programa Brasil Soberano. Em uma outra frente, o governo promete continuar atuando para abrir novos mercados para os produtos brasileiros. Em relação à diplomacia, o governo estuda aplicar a lei da reciprocidade, mas não agora, e sim no momento em que o presidente Lula achar oportuno.

Cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos devem ser afetadas pela confirmação desse tarifaço, que começa a valer já na semana que vem, dia 22. O setor produtivo foi um dos primeiros a reagir. 

A Confederação Nacional da Indústria diz que a medida pode reduzir não só as exportações, mas também a competitividade das empresas nacionais. 

O governo diz que as negociações seguem abertas. A ordem é encontrar uma saída equilibrada para os dois países.

Declarações de Marco Rubio 

Outro ponto que foi muito criticado pelo governo envolve as declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que, pelas redes sociais, disse que o Brasil não negociou com os Estados Unidos de boa-fé. O Itamaraty reagiu.

Entenda as tarifas 

Ao anunciar as novas tarifas, o governo de Donald Trump insistiu em afirmar que a decisão é resultado de uma investigação de um ano conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, que concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio entre os dois países, como o Pix e o desmatamento ilegal.

Em resposta, o governo brasileiro publicou uma nota em que afirma que o Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. E que o mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros. A nota também diz que “o dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. 

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, fez uma publicação nas redes sociais dizendo que o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé e que suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. O Itamaraty reagiu.

“Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou sua disposição de negociar qualquer tema. Nesse sentido, as declarações do secretário de Estado Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo. Claramente o que incomoda o governo dos EUA é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis no curso das negociações. Cito como exemplo demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos EUA de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros”, afirmou Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores. 

Os Estados Unidos aplicaram a sobretaxa de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros. Entre eles estão etanol, máquinas agrícolas e de construção, calçados, vestuário, açúcar orgânico, ferramentas e componentes de borracha. A expectativa do Brasil é conseguir ainda retirar mais produtos dessa lista. De acordo com o governo, o diálogo entre os dois países continua.

“Seguiremos abertos à diplomacia e negociação, seja com os EUA ou qualquer outro país que nos trate com o devido respeito”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan. 

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, também se pronunciou. Ele afirmou que o STF continuará exercendo suas funções com independência e que a Corte não se deixará condicionar por pressões externas. Segundo Fachin, o Supremo vai exercer com serenidade e firmeza a missão conferida pela Constituição, sem qualquer influência ou condicionamento externo. O presidente do STF disse ainda que a Corte vai preservar a integridade da ordem constitucional, a separação dos Poderes, a democracia e o Estado de Direito.

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Criado em 16/07/2026 - 19:45

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