Tem compra que não tem jeito: uma casa, um carro, um celular… Para muita gente, só com financiamento. Mas esse dinheiro, parcelado, tem custo e quem define é a chamada Taxa Selic. Hoje, ela está em 14,25% ao ano. Em 2010, por exemplo, estava bem mais baixa: 10,5%.
Na prática, imagine um carro de R$ 50 mil financiado em 30 meses. Em 2010, a parcela ficaria em pouco mais que R$ 1.980. Com os juros de hoje, a mesma parcela ficaria em mais de R$ 2.256. Quase R$ 300 de diferença ao mês e cerca de R$ 8 mil mais no fim do financiamento.
Juros altos pegam em cheio o orçamento. O dinheiro que iria para pagar contas vai para o pagamento de juros. Se a situação aperta, a parcela atrasa. Dívida atrasada é dívida mais cara: incidem mais juros, multas... Mas não são só os juros altos que vêm pesando no orçamento.
Em um ano, as dívidas dos brasileiros com atraso de mais de 90 dias aumentaram 50% ou R$ 85 bilhões. Nos quatro primeiros meses desse ano, atingimos o maior volume de dívidas em atraso em mais de duas décadas: são quase R$ 250 bilhões.
São parcelas do financiamento da casa, do crédito consignado, do rotativo do cartão.
Além das empresas de apostas esportivas, outros negócios disputam o orçamento dos brasileiros: os bancos digitais. Eles cresceram no Brasil oferecendo crédito fácil, a juros altos, para quem não tem como pagar.
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