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Caroço de fruta vira bioplástico na Amazônia e reduz uso de petróleo 

Repórter Brasil

No AR em 10/07/2026 - 19:00

Uma solução que reduz o descarte de resíduos, agrega valor a produtos da floresta e demonstra como a ciência pode contribuir para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Esse material que antes era descartado, caroços de açaí, de tucumã e de cupuaçu, até mesmo o ouriço da castanha-do-Brasil, estão se transformando em matéria-prima. Depois do processo produtivo, eles se transformam em um bioplástico granulado, utilizado na indústria automotiva de duas rodas e, até mesmo, na construção civil. 

O composto, produzido por fibras naturais e plástico reciclado, substitui em até 40% o polímero derivado do petróleo. O material já é utilizado na fabricação de copos reutilizáveis, pedais de bicicleta, painéis de motocicletas e suportes de metais para a construção civil.

“Foram feitos os testes de tração e compressão e deram superior aos produtos de mercado que tem hoje no aqui no Amazonas”, afirma Joelson Freitas, arquiteto e urbanista. 

O projeto também segue os princípios da economia circular. Os caroços dos frutos amazônicos que antes eram descartados passam a ser coletados por moradores de comunidades e encaminhados para uma incubadora da Universidade do Estado do Amazonas.

“A gente consegue unir, vamos dizer, aquilo que é descartado pelas comunidades no interior com o resíduo que é descartado aqui de plástico da indústria e fabricar um produto, fabricar esse bioplástico que pode ser utilizado para injetar qualquer tipo de produto aí que você vê na tua casa: framer de televisão, telefone celular, computadores, o que você imaginar, copos, né, que a gente fabrica também com esse material”, explica Antônio Kieling, professor e sócio-fundador da Biopellet. 

À medida que a indústria substitui matérias-primas derivadas do petróleo, os benefícios também se estendem ao meio ambiente. A tecnologia vai além do aproveitamento dos recursos naturais. A proposta é transformar conhecimento científico em produtos de alto valor agregado, fortalecendo a economia regional e incentivando novos negócios com matérias-primas da biodiversidade amazônica. Agora, o desafio dos pesquisadores é ampliar a produção e desenvolver novas aplicações para o material.

“E nós já estamos desenvolvendo os filamentos em impressão 3D. Daqui a pouco vocês vão poder imprimir, é, com um bioplástico feito de açaí, de tucumã, de cupuaçu, por aí vai”, destaca o professor e sócio-fundador da Fipo Biopellet, Genilson Santana. 

Em um momento em que a indústria mundial busca reduzir a dependência dos derivados do petróleo, a Amazônia apresenta uma solução que une inovação, sustentabilidade e valorização dos recursos naturais.
 

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Criado em 10/07/2026 - 20:10

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