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Cascas de sururu viram adubo e geram renda para marisqueiras no ES 

O que antes era descartado no meio ambiente, agora gera renda para marisqueiras e ajuda a agricultura. No Espírito Santo, um projeto transforma cascas de sururu em corretivo orgânico para o solo, aliando preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

O trabalho é de frente para o mar. É ele quem dita o ritmo da atividade. As mãos de da marisqueira Renata Vicente seguem uma tradição. “Esse contato aqui foi de geração de tia, mãe... Tinha vezes, quando eu era pequena, minha tia me levava para ir com ela. Na época, ela catava sururu. Aí, foi passando, fui aprendi e tô aqui. Gostei”, conta. 

São 10 anos trabalhando com mariscos. A família domina todo o processo. Há sete meses, eles acrescentaram uma etapa: passaram a limpar e separar as cascas do sururu, que agora são recolhidas pelo Projeto Sururu, iniciativa do Instituto Goiamum que beneficia cerca de 50 marisqueiras.

“Essas cascas soltas na natureza, jogadas em qualquer lugar, são um problema muito sério. Tanto pra questão de salubridade, quanto com relação à questão ambiental. Ainda são jogadas cascas de sururu no próprio manguezal, e nas ruas. Muita coisa é desperdiçada”, explica Iberê Sassi, fundador do Instituto Goiamum. 

Nas mãos das marisqueiras, o sururu sempre foi sinônimo de alimento e sustento. Uma tradição que encontrou no Projeto Sururu mais uma fonte de renda.

“A gente juntava as cascas tudinho e ia lá no canal e jogava. Aí agora, com o Projeto Sururu, né? Vem aqui, cata a casca, não precisa de ir mais lá jogar. A gente ajuda... O projeto nos ajuda e nós ajuda o projeto”, destaca Renata. 

“Nós compramos as cascas delas. Aquilo que elas jogavam no chão, jogavam no lixo, desperdiçavam, agora não, elas recebem para entregar para o Instituto Goiamum. Então, nós temos nosso transporte que vai lá, compra delas, pesa e paga a cada uma delas individualmente”, explica Iberê. 

Esse galpão recebe cerca de 10 toneladas de cascas de sururu por mês. O material, que seria descartado, ganha um novo propósito: vira corretivo agrícola, orgânico, sustentável. Inovação que sai do mar para o campo.

“O processo soluciona, de uma vez por todas, a questão do destino desses resíduos, né? Esse resíduo acaba se transformando num numa coisa preciosa para a agricultura, especialmente para a agricultura orgânica. Ele corrige solos ácidos e é também como coadjuvante, não só em corrigir a acidez, mas como fornecer alguns oligoelementos úteis para o solo”, detalha o fundador do projeto. 

O que antes era um desafio ambiental, está prestes a se tornar um negócio.

“No momento, nós já atingimos nossa capacidade máxima de produção, que é em torno de 10 toneladas por mês, e estamos em processo de certificação pelo Ministério da Agricultura para poder iniciarmos a comercialização do produto. Como nós somos uma organização sem fins lucrativos, nós não podemos comercializar. Então, incentivamos a criação de uma startup, que é a Manguebio, e essa startup é que vai fazer todo o processo de comercialização do produto”, explica. 

É a produção andando de mãos dadas com o equilíbrio ambiental. Valorização de quem conhece a maré como ninguém.
 

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Criado em 11/07/2026 - 16:00

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