Um suposto esquema de desvio de cerca de R$ 6 milhões em emendas parlamentares colocou o ex-deputado Eduardo Cunha novamente no centro de uma investigação. A suspeita é de que, mesmo sem mandato desde 2016, ele continuava influenciando a destinação de recursos públicos por meio de uma servidora da Câmara dos Deputados.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o ex-deputado Eduardo Cunha teria escolhido quais municípios receberiam os recursos desviados, ou seja, para onde o dinheiro das emendas seria enviado, atuando como se fosse um parlamentar com mandato.
Cunha contou com a colaboração de Mariângela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados. Conhecida como Tuca, ela é suspeita de fazer as alterações no sistema da Câmara e, segundo a Polícia Federal, “contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Eduardo Cunha”.
Já a participação ou o conhecimento dos parlamentares cujas emendas aparecem na investigação ainda serão apurados.
Em função dessa suspeita de fraude, o ministro do Supremo Flávio Dino mandou bloquear bens e valores de Eduardo Cunha até o limite de mais de R$ 6 milhões, que é, mais ou menos, o mesmo valor desviado das 21 emendas citadas no processo. Ele também suspendeu o repasse de novos recursos ligados a essas emendas.
É importante dizer que essas determinações foram tomadas no último dia 6, mas só no domingo (12) as informações foram liberadas pelo Supremo.
A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, realizada em dezembro do ano passado e que teve a servidora Tuca como alvo.
Na ocasião, o celular dela foi apreendido pelos agentes, e as informações divulgadas agora vieram justamente da análise dos dados encontrados no aparelho.
O que dizem as defesas
A defesa de Eduardo Cunha afirmou que ele não foi ouvido antes do bloqueio de bens e tomou conhecimento da decisão pela imprensa. Segundo os advogados, Cunha não apresentou nem formalizou as emendas, que teriam sido indicadas por parlamentares e órgãos competentes, e negou qualquer irregularidade.
Já a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a funcionária da Câmara exercia função exclusivamente técnica na organização das emendas parlamentares da Casa, seguindo decisões da presidência da Câmara e do colégio de líderes. Segundo os advogados, sua atuação era estritamente técnica, apartidária e impessoal.
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