Com a inteligência artificial, ficou mais fácil clonar vozes, imagens e criar vídeos e conteúdos bastante realistas. Mas a IA não tem sido utilizada apenas para diversão e informação. As fraudes nos meios digitais existem desde que a internet foi criada. Antes, elas chegavam aos usuários através dos e-mails, mas hoje, existem as redes sociais e o WhatsApp.
Em 2022, com a popularização da inteligência artificial generativa, que cria conteúdos a partir de padrões de imagem e de voz, essa ferramenta ficou ainda mais acessível para os golpistas.
Entre os golpes mais comuns estão: o golpe do Don Juan, onde homens se aproximam de mulheres, muitas vezes com imagens fakes criadas por IA, e praticam o estelionato sentimental. Existe também o sequestro falso. A IA é usada para imitar a voz de um amigo ou familiar e pedir valores em dinheiro. No golpe dos falsos prêmios, comunicados de premiações e propagandas são replicados para convencer a vítima de que ele foi sorteado, mas que precisa realizar ações que podem levar ao roubo de dados ou clonagem de celular. E tem também as fraudes bancárias. Falsas ligações de bancos, envio de links suspeitos ou comunicados de compras indevidas por Pix ou cartão são as estratégias usadas para chegar às vítimas, e que também contam com as ferramentas de IA.
O advogado criminalista Bruno Queiros explica que, nos meios digitais, o ambiente para golpistas é mais diversificado. A tecnologia agregada à engenharia social, ou seja, ao poder de convencimento, aumentou o alcance dos golpistas, e a lei não acompanhou esta evolução.
“O Código Penal tá sempre um passo atrás do criminoso em matéria de crimes digitais, em matéria de tecnologia. Não tem como toda semana surgir uma lei nova, porque são muitas oportunidades que surgem para os criminosos”, afirma o advogado.
O diretor de tecnologia desta escola focada em habilidades digitais reforça que a inteligência generativa já é essencial em muitos setores. A IA veio para expandir funcionalidades do ser humano. Para evitar os conteúdos fakes mal-intencionados, a dica dele é simples: evitar tudo o que for estranho e buscar os canais corretos de informação previnem o prejuízo.
“Recebi um conteúdo por qualquer canal que seja, WhatsApp, ligação, qualquer coisa, eu vou receber a notícia, o conteúdo, desligo o telefone e eu vou entrar em contato com o canal oficial. Ah, é meu banco, é a Receita, é o que quer que seja, eu entro em contato”, destaca Daniel Monteiro, diretor de Tecnologia da Digital College Brasil.
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