Dois anos depois das enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul, Milton do Nascimento ainda se assusta quando a previsão é de chuva forte. A casa onde ele morava foi destruída pela água, e a família passou sete meses vivendo em um abrigo improvisado. “Eu entro em pânico. Não por mim, né? Eu penso nas outras pessoas lá embaixo. Bah, eu fico apavorado. Porque eh se aconteceu o que aconteceu, com a preparação que nós temos, vai ser tragédia de novo”, desabafa ele.
Em 2024, a enchente levou tudo o que ele havia construído ao longo da vida. A recuperação só começou graças à corrente de solidariedade que mobilizou pessoas de diversas partes do país.
“Sabe quando tu chega no fundo do poço? Eu cheguei no fundo do poço. Mas a gente vê que tem pessoa boa no mundo, que chega e diz assim: ‘Ó, procura um lugar, se estabiliza lá, que tu vê que tu vai dar para ti levar tu e teus bichos, tua família. E eu vou te dar para ti.’ Isso é... é só Deus, né, para existir uma pessoa assim”, conta Milton.
As doações garantiram uma nova casa para a família em uma área mais alta, onde a água não alcança. Hoje, Milton e a esposa cuidam dos animais e tentam recomeçar, sem apagar a memória da tragédia.
“Quando eu cheguei aqui, eu vou dizer assim, ó: eu estava num pedacinho do céu. Aqui eu olho... tem vez que eu enxergo em cima do lombo dos urubus voando aqui. Hoje tu pode olhar a chuva cair e dizer assim, ó: deixa chover”, celebra.
O receio de novas enchentes continua presente, diante da previsão de um novo episódio de El Niño nos próximos meses. Mas para Milton, a solidariedade recebida deu à família a chance de recomeçar.
Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.