O Estatuto da Criança e do Adolescente completou 36 anos e, apesar dos diversos avanços que proporcionou, a violência contra as crianças ainda é tolerada por grande parte da população. É o que diz um estudo que foi feito pelo Instituto Futuro da Infância Saudável, em parceria com a Quaest.
O estudo ouviu mais de duas mil pessoas em todo o país e mostra que, embora a maioria dos brasileiros defenda o diálogo como a melhor forma de educar, a violência contra crianças e adolescentes ainda é naturalizada. Ao todo, 91% dizem que o diálogo é a melhor forma de educar, mas 62% admitem já ter gritado com uma criança; 49% dizem já ter dado tapas; e 27% afirmam já ter usado objetos para bater. A maioria acredita que a violência contra crianças aumentou nos últimos anos. Mesmo assim, 62% dizem que não interviriam ao ver uma criança recebendo palmadas ou puxões de orelha em público.
Os dados revelam que a violência é ainda altamente tolerada. Grande parte dos entrevistados considera o castigo uma medida adequada e acha aceitável gritar, ameaçar ou bater em crianças. Para os pesquisadores, a violência contra crianças é mais uma vertente da violência enraizada na sociedade brasileira.
Felipe Nunes (CEO da Quaest): "Em muitos casos, cada vez maiores casos, por exemplo, de violência contra as mulheres, as estatísticas mostram esse crescimento. Essa pesquisa mostra que os brasileiros reconhecem e percebem que os maus-tratos com crianças têm também aumentado. A violência nos espaços públicos, nos estádios, quer dizer, a violência é um tema que tem preocupado os brasileiros, a segurança pública, de uma forma geral. E ela se expressa nos microcosmos. Nessa pesquisa, a gente aprofunda e detalha como essa violência chega de maneira tão forte também nas crianças e nos adolescentes."
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