Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) revela que os filhos são responsáveis por mais da metade das agressões a idosos, no Brasil. A pesquisa foi elaborada a partir de denúncias feitas na Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, no ano passado.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro tem um núcleo especializado que presta atendimento jurídico a idosos. As denúncias dos casos de violência contra quem tem mais de 60 anos normalmente são recebidas de órgãos públicos e de pessoas próximas às vítimas, protegidas pelo anonimato.
“Recentemente tivemos uma denúncia de uma sobrinha de um idoso que sofria maus-tratos do próprio filho. E nós constatamos que aquele filho não estava cuidando adequadamente do pai, vendeu sem autorização a casa do pai”, relata Valmery Guimarães, defensor público do Núcleo de Atendimento à Pessoa Idosa.
Negligência, abandono, violência psicológica, agressões físicas e abuso financeiro ou patrimonial. A violência contra idosos ocorre de diversas formas. Em 2025, o Disque 100 recebeu um total de 180 mil denúncias.
O levantamento feito pela Universidade Federal Fluminense, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, mostrou que os filhos e filhas são os autores das violências na maioria das denúncias (55%). E que a maior parte dos casos acontece dentro de casa. Além disso, as mulheres são as principais vítimas (63,44% dos registros em 2025) e a faixa etária mais atingida é de idosos com 80 anos ou mais (24,01% das denúncias registradas).
Para mudar esse cenário, o primeiro passo é denunciar.
“Denuncie. Recorra a diversas instâncias, tem diversas maneiras. O Disque 100 é um. O Disque 100 é de segunda a segunda, 24 horas por dia. Tem uma pessoa capacitada que vai acolher a sua denúncia, né? Esse é o primeiro caminho. É algo mais grave? Recorra à polícia", convoca Alessandra Camacho, coordenadora da pesquisa na UFF.
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