A pressão alta é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e representa um desafio para a saúde pública global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 82% das pessoas com hipertensão vivem em países de baixa e média renda.
Quase 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo têm pressão alta crônica sem saber. A hipertensão arterial é uma doença muitas vezes silenciosa.
Segundo os médicos, algumas pessoas podem ter dor de cabeça, náusea ou outros sintomas. Mas isso não é regra. Nas ruas de grandes cidades, como a Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, é fácil encontrar quem convive com o problema.
“Eu dei um infarto, foi aqui mesmo. Eu saí correndo para o hospital. Todo dia eu comia seis linguiças, eu botava no microondas e jogava o sal. E comia com Coca-Cola. Atrofiou minhas artérias todinhas. Não sei como é que eu sobrevivi”, conta o faxineiro Jorge Luís.
A hipertensão é multifatorial, envolve genética e estilo de vida. Em setembro do ano passado, o Brasil adotou um protocolo elaborado pelas sociedades brasileiras de cardiologia, de nefrologia e de hipertensão.
Médias abaixo de 12 por 8 são consideradas normais. A clássica medida 12 por 8 passou a ser considerada um limite de alerta. De forma geral, o tratamento com medicamentos para pressão arterial passa a ser recomendado com médias acima de 14 por 9, em duas aferições em períodos distintos, mas pode haver exceções a essa regra, como explica Vitor Navarro, cardiologista do Hospital Universitário Antônio Pedro.
“A sua pressão deu 12,5, não quer dizer que você hipertenso, quer dizer que você precisa ter um pouco mais de cuidado ao longo da tua vida para não desenvolver hipertensão. Então buscar medidas do dia a dia para ter um controle adequado dessa pressão. Atividade física regular, controle do peso, uma alimentação com baixa ingesta de sódio, controle de fatores psicológicos, estresse, ansiedade, isso influencia no desenvolvimento de hipertensão. E, se tiver alguma dúvida, procurar o cardiologista para poder fazer o acompanhamento dessa evolução”.
A hipertensão arterial não tratada pode ter desfechos como infarto, AVC ou doença renal crônica, segundo o médico: “ela vai levando a uma inflamação sistêmica no nosso organismo, dos vasos, do coração, do rim. Se a gente começa lá atrás, desde cedo, a ter o controle dessa hipertensão, a gente evita esses desfechos duros e, com isso, consegue reduzir a mortalidade”.
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