A partir desta segunda-feira (13), o Repórter Brasil exibe uma série especial produzida pela TV Cultura do Pará, emissora da Rede Nacional de Comunicação Pública, sobre o miriti, insumo amazônico que ganha destaque pelo potencial econômico e ambiental. Neste primeiro episódio, o tema é o manejo sustentável do miritizeiro.
O miriti, conhecido como buriti em outras regiões do Brasil, recebe diferentes nomes. Mas na Amazônia, faz parte da paisagem, da cultura e da vida ribeirinha.
Nós estamos em uma parte da Floresta Amazônica, localizada no município de Abaetetuba em uma área de manejo de miritizeiros. E é daqui da Comunidade Tauerá de Beja que sai a bucha do miriti que serve de matéria-prima para a confecção de produtos sustentáveis e 100% amazônicos.
Há 25 anos, Augusto Costa, conhecido como Gugu, trabalha com o manejo do miritizeiro. A atividade sustentável ajuda a conservar a palmeira, fortalece a sociobioeconomia e valoriza os saberes tradicionais das comunidades amazônicas.
A ciência também entrou na floresta para entender a força do miriti. Durante 5 anos, pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), acompanharam o manejo da palmeira em comunidades de Abaetetuba.
O levantamento mostrou que o uso sustentável do miritizeiro ajuda a conservar áreas de várzea e fortalece uma cadeia produtiva que gera trabalho e renda na Amazônia.
Artesanato e sustentabilidade
No manejo sustentável, é retirada a chamada bucha do miriti, uma fibra leve e macia que se transforma na principal matéria-prima do artesanato produzido em Abaetetuba.
Foi no artesanato amazônico que Augusto Costa encontrou mais do que um trabalho: encontrou sustento e propósito. Com os brinquedos de miriti, criou os filhos, mantém a família e transformou a tradição em pequeno negócio. Entre as peças que mais gosta de produzir, estão os pássaros de miriti, símbolo da criatividade e da leveza desse artesanato amazônico.
O estudo reforçou que o manejo sustentável é fundamental para preservar o miritizeiro e garantir a continuidade de uma tradição que movimenta pequenos negócios em Abaetetuba. Entre ciência, ancestralidade e sociobioeconomia, o miriti segue transformando conhecimento tradicional em oportunidade para centenas de famílias amazônicas.
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