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Pesquisa resgata pioneirismo feminino na produção de cajuína no Piauí

Repórter Brasil

No AR em 11/07/2026 - 19:00

O Piauí é conhecido em todo Brasil pelo sabor único da cajuína. Mas o que quase ninguém sabe é que por trás da bebida tem uma história de pioneirismo feminino que ficou escondida por décadas. E uma pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) quer transformar essa história em livro e documentário.

A cajuína pode até parecer refrigerante, mas não tem nada a ver.  Ela não tem gás,  nem adição de açúcar. É o suco de caju clarificado, filtrado e cozido até ganhar uma cor de mel.

Por décadas, a autoria da “champanhe do Piauí” foi atribuída apenas a homens. Mas a pesquisadora de Brasília Sara Almeida Campos descobriu que o primeiro rótulo impresso no país leva o nome de Maricas Veloso, como era conhecida Dona Maria Portela Veloso.

“Ela nasceu em Oeiras, Piauí, e mudou-se junto com a mãe, Laura Soares, para a cidade de Valença do Piauí. Antes dessa mudança, ambas já produziam cajuína na cidade de Oeiras, em meados de 1850”, narra Sara Campos.

Dona Maricas liderava uma rede de mulheres na produção da cajuína.  E os cajueiros eram tão importantes para ela que ganhavam nomes de pessoas.

A neta da pioneira, Solange Portela, conta um pouco do processo: “era muita gente, maior parte da família. Colhia os cajus, lavava, depois espremia para fazer a cajuína”.

A pesquisadora da UnB fala do papel de mobilizadora social de dona Maricas.
“Ela se reunia com mulheres de várias classes sociais, de diferentes famílias, que juntas produziam cajuína. Cada cajueiro do sítio dela tinha o nome da pessoa que colhia os cajus para fazer aquele lote”.

O historiador Antônio José Mambemga detalha o pioneirismo da produtora de cajuína: “no momento em que o Brasil também se expandia, na década de 30, ela já teve essa iniciativa de rotular a marca, dar nome,  dizer que era cuidadosamente trabalhada por ela”.

Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro, a cajuína é também a espinha dorsal da economia de muitas famílias. Só em 2023, o Piauí produziu cerca de 16 milhões de garrafas da bebida.

Tradição local continua

Em Valença do Piauí, a tradição iniciada por Dona Maricas continua sendo sustento e orgulho local. É o caso de Dona Terezinha de Jesus Souza, que transformou a bebida em segurança financeira.

“Depois que nós começamos a vender para fora, mudou a nossa vida, porque a renda que nós temos é essa cajuína, né? Então, reformamos a nossa casa, construímos uma fábrica”.

Agora a pesquisa que resgatou toda essa história quer garantir que ela não seja mais esquecida. Para isso, Sara pretende distribuir o livro e o documentário gratuitamente em escolas e bibliotecas. “Nada melhor do que uma obra como essa, do que um documentário como esse, que pretende celebrar a existência dessas mulheres e a importância do ofício delas na produção da cajuína”.

 

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Criado em 12/07/2026 - 17:00

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