Sim, o termômetro de rua, que marca 29ºC, está funcionando e estamos no inverno gaúcho. Mas mudou o clima desde quinta-feira (16) no Rio Grande do Sul. Na mesma semana que iniciou com os efeitos de tempestades que destruíram casas em Eldorado do Sul e temperaturas próximas a zero em algumas cidades, o estado vem registrando temperaturas acima dos trinta graus. Haja saúde!
É uma briga de extremos que causa alertas, como o de tempestades até o final de semana, mas também de riscos para a saúde.
“Nós temos, na verdade, um sistema termorregulador e que, no momento em que há alteração da temperatura, a gente faz esse ajuste, essa adaptação fisiológica. Mas muitas pessoas, pessoas com doenças crônicas, idosos, podem ter uma resposta rápida a esses... A esse evento, a essa mudança de temperatura, e isso pode causar várias patologias. Nas temperaturas frias, então, é procurar aquecer, hidratar também, porque aí tem também as infecções respiratórias”, destaca Cynara Carvalho Nunes, infectologista da Santa Casa de Porto Alegre.
O impacto, principalmente a partir do cenário de mudanças climáticas, vai ser estudado. Porto Alegre é uma das nove cidades piloto no Brasil a instalar o Centro de Informação em Saúde e Clima (Cisc) junto com o Ministério da Saúde.
“Vai ser um serviço de inteligência para o SUS. A gente vai fazer uma análise, né, de série histórica sobre os eventos que nós já vivemos e o impacto que a gente já teve a partir desses eventos no sistema de saúde, para que, a partir disso, a gente consiga apontar para o gestor as necessidades futuras.
Então, quando a gente prevê, quando há uma previsão de ter algum evento climático extremo, a partir deste aviso a gente já prevê que vai aumentar determinadas doenças, vão... Vão aparecer ou vão aumentar a incidência. A gente vai precisar preparar os serviços de saúde para um aumento de atendimento e que tipo de atendimento”, detalha Evelise da Rocha, coordenadora do Cisc de Porto Alegre.
A primeira pesquisa será sobre o efeito do frio e do calor na saúde dos porto-alegrenses. “É tornar o Sistema Único de Saúde mais resiliente para as mudanças climáticas. Então a gente já vem sofrendo na saúde os impactos dessas mudanças, e que o serviço de saúde esteja mais preparado para lidar com elas”, destaca a coordenadora.
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