Além dos incentivos aos setores afetados pelo tarifaço norte-americano, o Brasil quer aumentar ainda mais as exportações de produtos para outros locais, como União Europeia, países asiáticos, China e também a Índia.
A partir de hoje (22), quase 19% de tudo o que o Brasil exporta para os Estados Unidos passa a pagar uma tarifa adicional de 25%. O imposto é cobrado de quem compra nos Estados Unidos. Com isso, o produto brasileiro ficará mais caro, e as vendas podem cair. A nova cobrança passa a atingir principalmente etanol, açúcar, máquinas e equipamentos, móveis de madeira, calçados, vestuário e equipamentos elétricos, entre outros bens industrializados. Por outro lado, mais de 700 produtos estratégicos para a economia norte-americana ficaram isentos da tarifa. Entre eles: café, carne bovina, suco de laranja, petróleo, aeronaves, celulose e minério de ferro.
Essa é a segunda tentativa do governo Trump de taxar as exportações brasileiras. A primeira não chegou a entrar em vigor, pois foi barrada pela Suprema Corte norte-americana. Agora, a tarifa foi implementada com base na chamada Seção 301, apontando que o Brasil adotaria práticas comerciais que prejudicam os Estados Unidos, como a implementação do Pix, a regulação das plataformas digitais e falhas no combate ao desmatamento.
O governo brasileiro nega essas acusações e diz que vai continuar negociando com os Estados Unidos antes de aplicar a lei da reciprocidade. Além da liberação de crédito anunciada hoje para socorrer os setores afetados, o Executivo quer aumentar a diversificação de mercados. A ApexBrasil, por exemplo, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, prevê a divulgação, em agosto, de um plano de R$ 130 milhões com foco na União Europeia e em países do sudeste asiático.
Luiz Inácio Lula da Silva (presidente da República): "Eu, pessoalmente, fui aos Estados Unidos, ficamos três horas discutindo negociação. O Márcio, o Alckmin, o Dario e o Haddad, quando eram ministros, fizeram várias tentativas de negociar, e a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa. Porque a gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não querem negociar. Mas não vamos ficar chorando o produto que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores."
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