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Venda online de fuzis nos EUA pode facilitar tráfico para facções 

Repórter Brasil

No AR em 17/07/2026 - 19:00

Agora um alerta no combate ao crime organizado. O governo dos Estados Unidos está mudando a regulação do comércio de armas e uma das alterações pode liberar as vendas online até de fuzis. A medida pode aumentar os desvios de armamentos para organizações criminosas, incluindo, por exemplo, as brasileiras Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capita (PCC).

O pacote com 34 medidas está em tramitação no governo Trump e, se aprovado, pode permitir a compra de armas pelos correios, reduzir o tempo para vendedores manterem registros de vendas e diminuir as regras para a consulta de antecedentes criminais dos compradores. O Departamento de Comércio dos EUA justificou que o fim das restrições vai permitir que os fabricantes de armas de fogo dos EUA concorram em mercados estrangeiros, criando centenas de milhões de dólares por ano em oportunidades de exportação.

Um estudo publicado no Journal of Illicit Economies and Development, do Reino Unido, aponta que, no Brasil, das apreensões de 1,7 mil fuzis ilegais no Sudeste entre 2019 e 2023, 54% tinham origem nos Estados Unidos. Além disso, já considerando todas as armas de estilo militar apreendidas na região, e não apenas os fuzis, os principais países de origem são o próprio Brasil, seguido por EUA, Alemanha e Bélgica.

“Em aumentando a demanda, em aumentando a venda, vai aumentar a possibilidade da venda ilegal, da pessoa interposta, da pessoa que vai se utilizar de um falso cadastro americano, vai falsificar a documentação, assim como acontece na venda física hoje. Vai aumentar a falsificação, vai aumentar a venda, o contrabando ilegal de armas diante do aumento do volume de vendas”, acredita Juarez da Silva, advogado criminalista.

Em junho os Estados Unidos passaram a classificar organizações criminosas do Brasil como terroristas, alegando aumentar o combate ao crime. Agora, essa nova flexibilização do comércio de armas é apontada como mais uma contradição do governo Trump, que já vinha sendo acusado pelo Brasil de não fazer um combate efetivo ao crime dentro do próprio Estados Unidos.

Em setembro de 2025, o governo Trump já havia revogado restrições para a exportação de armas para 36 países, incluindo alguns com histórico de problemas de desvio de armas como Paraguai, Colômbia, Suriname, Bolívia e Peru, todos vizinhos do Brasil.

“Com certeza absoluta, muitas dessas armas que chegam muito mais facilmente ao Paraguai e à Colômbia chegarão por meio do tráfico internacional de drogas e por meio dessa não fiscalização de fronteiras para o país. A gente tem que ter uma fiscalização muito mais rigorosa da Polícia Federal, uma fiscalização muito mais rigorosa também dos portos, das regiões alfandegárias, de forma geral, para que essas regiões não sejam um filtro para o nosso país de armas ilegais e, principalmente, o de práxis, combater, ter o Ministério Público Federal ali sempre fiscalizando e combatendo a corrupção que, muitas vezes, existe nas fronteiras brasileiras”, defende Giovanna Costa Guerra, advogada e especialista em Segurança Pública. 
 

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Criado em 17/07/2026 - 19:45

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