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Violência nas estradas brasileiras afeta caminhoneiros

Repórter Brasil

No AR em 18/07/2026 - 19:00

O roubo de cargas em estradas e rodovias caiu cerca de 8% no Brasil nos cinco primeiros meses deste ano. Mas a redução dos índices não reflete a realidade de todas as regiões. No Rio de Janeiro, por exemplo, os assaltos a caminhoneiros seguem em alta e deixam marcas profundas. Muitos profissionais enfrentam doenças e até desistem da carreira.

Vladimir Platonow (Repórter): A vida deste caminhoneiro sempre foi rodar pelas estradas do país, mas, depois de alguns anos de sofrimento, ele se desiludiu. As condições difíceis de trabalho e duas tentativas de assalto o fizeram restringir sua rota apenas à região Sudeste. Com medo de represálias de bandidos e até da polícia, ele prefere não mostrar o rosto.

Os perigos da profissão estão expressos em números. De acordo com um levantamento feito por uma empresa de logística de transportes — com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, do Ministério da Justiça —, entre janeiro e maio de 2026, foram 3.397 ocorrências de roubos de cargas em todo o Brasil. Houve uma queda de 8,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas em alguns estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, a situação é preocupante. Estes dois estados do Sudeste concentraram nove em cada dez dos casos de roubos no período. Somente na região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro, o Instituto de Segurança Pública contabilizou um aumento de 20% nas ocorrências, chegando a um total de 1.556 roubos de cargas em cinco meses de 2026, ou seja, dez assaltos por dia. 

O medo e o perigo são dois passageiros constantes para os motoristas de caminhão. O aumento no roubo de cargas faz de cada viagem uma incerteza entre sair para o trabalho e voltar vivo para casa. Esse perigo nas estradas acaba afetando a saúde mental dos motoristas e afastando os trabalhadores do volante, segundo relatam os próprios dirigentes sindicais da categoria.

Isaac de Oliveira (diretor do Sindicato dos Motoristas Autônomos – Região dos Lagos): "O cara fica tenso, o cara não sabe o que vai acontecer com ele. O caminhoneiro está adoecendo mentalmente, está precisando de tratamento mesmo, e nós temos que ter uma solução para isso."

Antonio Vitaliano (presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos - RJ): "Com todo esse peso do roubo de carga e da insegurança, eu, como caminhoneiro, jamais queria que o meu filho também fosse caminhoneiro. O sonho de todo pai e de todo filho era querer seguir a profissão do pai."

O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que, embora os roubos de carga tenham acumulado uma alta de 20% entre janeiro e maio deste ano, os dados mais recentes indicam uma desaceleração. Em maio, houve queda de 24% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 40% na comparação com abril de 2026.

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Criado em 18/07/2026 - 21:20

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