As apostas online retiraram, de forma líquida, 62,5 bilhões de reais das famílias brasileiras em 2025. O dado é de um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda. Mas o impacto das 'bets' vai além do bolso. Especialistas alertam para os efeitos do comportamento de apostar de forma compulsiva na saúde mental.
Nas ruas, é muito difícil encontrar alguém que reconheça ter o vício em 'bets', como são chamadas as plataformas de apostas esportivas ou de jogos online. Por isso, quem se reconhece dependente já conquistou uma primeira grande vitória nessa batalha pessoal."
Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda revelam algo ainda mais assustador sobre as 'bets'. As famílias brasileiras perderam quase R$ 63 bilhões em 2025 para as apostas online. É um dinheiro que fez falta para fazer o supermercado, para pagar a conta de água e de luz, ou para honrar compromissos assumidos."
“Imagine um país onde você tem uma alta taxa de desigualdade social, as pessoas precisando de dinheiro, e todo um estímulo ao consumo. As 'bets' elas surgem como algo milagroso, que vai fazer com que aquela pessoa, né, mude de vida automaticamente. Pelo menos, assim é vendido”, destaca o economista Edval Landulfo.
Há um outro aspecto que também atua como um elemento a mais nessa conta: a devastação mental que o prejuízo das 'bets' causa nas pessoas. “A condição de adrenalina que dá, né? Ou seja, o risco, a iniciativa de você tentar e ganhar algo, ela é muito sedutora, né? E promissora, como se fosse real e que fosse chegar a êxito. Mas acaba gerando uma armadilha”, lembra o psiquiatra Vinícius Pedreira.
O Ministério da Saúde tem realizado a campanha nacional informando a população de que o SUS está à disposição para quem precisa de ajuda para se libertar do vício em 'bets'. Uma iniciativa aprovada pelos especialistas ouvidos pela TV pública da Bahia.
“As pessoas que já têm pouco para sobreviver e desse pouco ainda fazem apostas nessa esperança de fazer um dinheiro, de ganhar algo é como se fosse a salvação da lavoura, vai fazer com que esse número aumente cada vez mais”, afirma Landulfo.
“Ter um Sistema Único de Saúde voltado para pessoas que realmente estão tendo problema de saúde pública, isso é de extrema relevância”, pontua Pedreira.
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