Em Brasília, uma clínica transformou o acesso à cannabis medicinal em uma rede de cuidado para famílias de baixa renda. Além da consulta e do medicamento gratuitos, a equipe acompanha a evolução de cada paciente.
Cerca de 800 pacientes com autismo, epilepsia, ansiedade e depressão, e que vivem em situação de vulnerabilidade social em Brasília e nas cidades do entorno do Distrito Federal, conseguiram acompanhamento médico e acesso gratuito à cannabis medicinal. O atendimento é feito pela clínica social da Associação Brasileira do Pito do Pango, uma organização não governamental fundada em 2023 para, além de fornecer óleos medicinais, prestar apoio jurídico a pacientes autorizados a fazer cultivo caseiro e seguro da cannabis e para pesquisar o uso clínico da planta.
Têm direito ao acesso gratuito, após triagem, pessoas como a estudante de música Georgina Garcia, inscrita no CadÚnico e que, após sofrer com sintomas colaterais com remédios convencionais contra ansiedade e depressão, foi orientada a fazer tratamento com cannabis.
“Tive muitos efeitos colaterais de estômago, trato digestivo, então assim, eu não quero nunca mais voltar para isso e é uma esperança para mim esse novo tratamento”, conta Georgina Garcia.
O uso de medicamentos à base de cannabis deve ser prescrito por médicos.
“Durante uma avaliação médica, a pessoa sabe… Ali o médico sabe se o paciente pode ser beneficiado ou não com o tratamento com cannabis. Especialmente para crianças com epilepsia, que têm convulsões resistentes, crianças com transtorno do espectro autista ou outras neurodivergências, pessoas com problemas neurodegenerativos, como Alzheimer e Parkinson, alguns tipos de esclerose… Efeitos colaterais da quimioterapia também funcionam muito bem…aquela náusea, aquele enjoo. E algumas doenças mentais resistentes a outros tratamentos”, detalha o médico Paulo Vinícius Araújo.
O tratamento na clínica da Abrapango também exige que o paciente tenha acompanhamento médico e social. “Quando a gente inicia o tratamento com cannabis medicinal, é muito importante a gente fazer o ajuste de dose. E, muitas vezes, as pessoas abandonam o tratamento porque não conseguem encontrar a posologia ideal para o seu tratamento. Então, o acompanhamento dos pacientes desde o dia que eles chegam aqui até a forma quando eles encontram o caminho do seu tratamento é imprescindível para que a gente tenha uma adesão cada vez maior e o benefício da cannabis no tratamento dos pacientes”, explica Ítalo Nascimento, presidente da Abrapango.
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