Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) ajuda a reconstruir a história geológica do sul do Brasil. Uma nova espécie de molusco fóssil, que viveu há milhões de anos, reforça as evidências de que parte do atual território do Paraná já foi coberta pelo mar.
Kevin William Richter fazia sua tese sobre a coleção paleontológica do laboratório da UEPG quando encontrou diferenças entre os organismos que chamaram sua atenção. “Existe na bibliografia o grupo então da espécie ali do gênero Actinopteria. E a gente trabalhando, fotografando e analisando as amostras, a gente acabou então evidenciando ali que tinha uma certa diferença entre esses organismos relacionados então aos formatos da concha, as suas estruturas. E a gente acabou observando: a gente não tem uma, a gente tem duas espécies aqui. A gente acabou descobrindo então a segunda espécie”, conta o pesquisador.
O molusco Actinopteria grahni se difere em algumas características, como o contorno da concha e a ornamentação radial.
“É uma espécie nova, tem que registrar no ZooBank, um órgão internacional onde só valem as espécies que são registradas lá, fósseis ou recentes. Se você descobrir uma baleia nova, você tem que registrar lá. E aí o nome da espécie a gente homenageou o professor Yngve Grahn, da Suécia, e aí nós colocamos como Actinopteria grahni, né? E só temos esse exemplar por enquanto. A paleontologia, ela trabalha com o que a natureza nos deixa, é aquilo que sobrou. Se você tem 30 mil espécies de dinossauros, com certeza viveram 300 mil, que nós nunca vamos encontrar porque eles não fossilizaram. O processo de fossilização é muito raro, é o mais raro da natureza. Então uma espécie nova é importante porque ela é mais um registro de vida do planeta Terra que se foi”, detalha Elvio Pinto Bosetti, orientador e professor do programa de Pós-Graduação em Geografia / UEPG.
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