Cada vez mais famílias têm repensado o momento de dar um celular para as crianças, para os próprios filhos. Pela primeira vez desde o início da pesquisa do IBGE, caiu o percentual de meninos e meninas de 10 a 13 anos com aparelho próprio. Os especialistas apontam que a maior preocupação dos pais é com a segurança e também a privacidade no ambiente digital.
O celular faz parte da rotina dos brasileiros, mas quando o assunto é criança, muitas famílias têm repensado o momento de entregar o primeiro aparelho.
“A rede social, ela é um mundo. Então, a partir do momento em que eu dou esse acesso pra minha filha, eu estou dando o mundo todo pra ela. E o mundo ali tem muita coisa boa, mas ele também tem muita coisa que a gente teme, né? Então, hoje eu faço esse controle. Eu não tenho como excluir a minha filha completamente disso porque ela já tem uma vida social: ela vai pra escola, na escola, mesmo que eu diga ”não" em algumas coisas, alguns amigos dão acesso, falam de conteúdos pra ela. Então, eu tento trabalhar com a idade que ela tem, que é 11 anos, o fato de que ela entenda as coisas perigosas que ela pode encontrar na internet”, afirma Jamile Galvão, mentora em Comunicação Empresarial.
A mudança acompanha uma preocupação crescente dos pais com os riscos do ambiente digital, tornando a privacidade e a segurança nos principais motivos para adiar a entrega do celular.
“Ao longo dos anos, a gente foi percebendo o quão mal a internet, ela pode fazer para uma criança que não tá protegida, né? Então ela fica ali à mercê de pedófilos, ela fica à mercê de grupos que a influenciam às vezes até se machucar ou a propagar ideias que vão fazer com que essa criança vire uma criança violenta, vire uma criança hostil”, conta Jamile.
Os dados do IBGE mostram que a faixa de 10 a 13 anos foi a única que registrou queda na proporção de crianças com celular próprio. Em 2025, 55,2% tinham o aparelho, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação a 2024.
Apesar dos avanços na proteção digital dos pequenos, ainda é necessário ficar atento e cobrar também das escolas o apoio e proteção no meio virtual.
“Os pais têm que ter consciência de que eles devem acompanhar a vida digital dos filhos, colocar aplicativos de controle parental para que eles acompanhem, sem invadir a privacidade dos adolescentes, das crianças, mas para que eles acompanhem a vida digital desses jovens e cobre também da escola que dê cumprimento à Política Nacional de Educação Digital, para que eles possam, dentro das escolas, receber também as informações, né, receber a educação sobre todo esse conteúdo que nós temos disponível no ambiente digital, mas que eles saibam discernir o que é bom, o que é ruim”, destaca Fabíola Rebelo, advogada e educadora digital.
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