O Sul e o Sudeste estão sob alerta para vendavais e tempestades. E o ciclone que avançou pelo Sul do país também provocou mudanças no tempo em outras regiões. No Rio de Janeiro, a previsão de ventos fortes levou o governo a adotar medidas de prevenção.
A reportagem da TV Brasil foi até o gabinete de crise, no quartel central do Corpo de Bombeiros, que reúne a cúpula da Secretaria Estadual da Defesa Civil e também do Corpo de Bombeiros.
A situação já melhorou em parte do estado, principalmente na Costa Verde, onde estão os municípios de Angra e Paraty, e também na região metropolitana. Porém, nas demais regiões do Rio, como o Norte e o Sul do estado, e também na Região Serrana, o nível de perigo continua moderado. Ou seja, toda a população nessas regiões, que aparecem em laranja no mapa lá atrás, elas devem permanecer atentas.
Nossa equipe conversou com o Coronel Sarmento, ele que é chefe do Estado-Maior-Geral do Corpo de Bombeiros, que vai nos explicar melhor qual é o quadro agora e o que nós podemos esperar para as próximas horas e também para amanhã.
Repórter – Coronel, o que a população do Rio de Janeiro pode esperar e o que deve fazer nas próximas horas e também no dia de amanhã?
Coronel – Com relação aos ventos, agora nós não temos mais essa preocupação. Os ventos deslocaram para a região Norte do estado, já estão saindo, inclusive. A nossa preocupação maior é com os incêndios florestais, que hoje chegamos a ter mais de 170 acionamentos. No momento, estamos com 12 incêndios acontecendo no estado do Rio de Janeiro.
O mês de agosto, se nós compararmos com o ano passado, nosso dado histórico, nós estamos com quase o dobro de acionamentos. Iremos chegar a quase o dobro. No mês de julho, tivemos o dobro de acionamentos em relação ao ano passado. Nesse momento, a umidade do ar está um pouco melhor. A tendência é que melhore nas próximas horas. Para amanhã, nós não temos possibilidade de chuva. Poucas rajadas ao final do dia, mais próxima ao litoral. Então, o cenário para amanhã, a nossa maior preocupação continua sendo o risco de incêndios florestais.
Repórter – A população e as prefeituras também não devem baixar a guarda, principalmente nesses municípios que aparecem lá no mapa, em laranja. A região metropolitana, aqui a Costa Verde, melhorou, mas as prefeituras devem continuar atentas, não é?
Coronel – Sim, sim. Nesse momento, a gente não pode, de maneira alguma. A população precisa estar atenta aos avisos da Defesa Civil, aos alertas. Em momento algum, a gente tem que ficar, sempre permanecer alerta e às orientações da Defesa Civil dos seus municípios e da Defesa Civil do Estado.
Repórter – Esse tipo de alerta climático, de fenômeno, ele é cada vez mais comum. Vocês conseguiram montar essa sala, esse gabinete de crise em pouco tempo. Como é que o senhor define a reação das instituições aqui do Estado para esse fenômeno climático?
Coronel – O estado é muito bem organizado. Nosso comandante-geral, o secretário da Defesa Civil, determinou a instalação desse gabinete de crise. O que nós, prontamente, temos esse treinamento, esse protocolo com as equipes. A alta cúpula do Corpo de Bombeiros é acionada e nós seguimos o protocolo e acompanhamos de perto a evolução dos eventos. Tomamos as atitudes, as decisões mais rápidas, junto às agências e aquilo que nós devemos utilizar em situações como essa.
Alertas da Defesa Civil
Se na quarta-feira passada muita gente foi pega de surpresa com os fortes ventos no Rio de Janeiro, dessa vez foi diferente. A Defesa Civil emitiu quatro alertas para os celulares dos moradores até o começo da tarde, o primeiro às 5h. Os ventos derrubaram algumas árvores pela manhã, como essa que caiu em cima de um carro na Tijuca.
Com o passar das horas, a mobilização aumentou. O governo do estado decretou ponto facultativo a partir das 13h, mesma hora em que o município entrou no estágio 3 de alerta, na escala que vai até 5. A prefeitura também recomendou a volta para casa antecipada. Muitas empresas liberaram os funcionários mais cedo e transportes públicos, como o metrô e o trem, adiantaram o horário de pico para dar conta da demanda.
O governo suspendeu as aulas da rede estadual e alguns municípios adotaram a mesma medida, de forma preventiva, para a rede municipal. No início da tarde de sexta-feira, os pátios estavam vazios. Locais turísticos como o Parque Nacional da Tijuca e o Cristo Redentor foram fechados. No Aeroporto do Galeão e no Santos Dumont foram registrados ventos de aproximadamente 65 km/h no começo da tarde. Os voos não foram interrompidos.
Além dos ventos, a cidade do Rio enfrentou forte calor hoje, uma combinação que também eleva o risco de incêndios florestais. Ontem, os brigadistas tiveram trabalho para conter um foco no Morro do Elefante, dentro do Parque Nacional da Tijuca. O fogo já foi controlado.
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