Foi enterrado, nesta segunda-feira (4), no Rio de Janeiro o corpo de Alessandro Rocha, piloto do helicóptero que caiu no sábado, deixando outras três turistas colombianas mortas. Este foi o quarto acidente envolvendo queda de helicópteros na capital fluminense neste ano. Em três destes acidentes, morreram 13 pessoas.
Os corpos das três turistas colombianas, todas da mesma família, ainda estão passando por processo de reconhecimento no Instituto Médico Legal (IML) do Rio. Como o helicóptero pegou fogo após a queda, seria preciso fazer exames de arcada dentária ou DNA. Só depois disso é que as vítimas serão liberadas para serem sepultadas.
Rocío Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17, realizavam um voo panorâmico sobre a cidade.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que tome providências imediatas para intensificar a fiscalização e garantir a segurança nas centenas de voos diários de helicópteros que circulam na cidade.
As causas do acidente estão sendo apuradas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
O que pode ser feito para evitar novos acidentes?
O aumento no número de acidentes no Rio de Janeiro chama a atenção para a necessidade de mais controle aéreo na região.
O helicóptero pilotado por Alessandro Rocha caiu com as três turistas colombianas pouco antes das 11h de sábado, na Floresta da Tijuca, próximo ao Mirante da Vista Chinesa, na Zona Norte. A aeronave pegou fogo e as chamas se alastraram para parte da mata, o que dificultou ainda mais o trabalho de resgate dos bombeiros.
Os motivos da queda ainda não são conhecidos e serão apurados pelo Cenipa. Para Gerardo Portela, especialista em gerenciamento de riscos, é preciso haver um controle maior do espaço aéreo sobre a cidade, que recebe centenas de voos de helicópteros por dia.
“É uma oportunidade de melhoria, a partir desses acidentes que têm acontecido, principalmente no início deste ano até agora, para que as autoridades avaliem se não é tempo de robustecer os sistemas de controle deste espaço aéreo: com uma torre, com pessoal treinado como controladores de voo e com um radar, tecnicamente um equipamento capaz de realmente monitorar essas aeronaves, porque existem várias áreas de sombra, para que tenhamos um espaço aéreo mais racional”, destaca ele.
Este foi o quarto acidente envolvendo helicópteros no Rio só este ano, três deles com vítimas fatais, o que deixou um total de 13 mortos. Em janeiro, houve uma queda em Guaratiba, na Zona Sudoeste. Em abril uma aeronave caiu na Barra da Tijuca. Em junho, dois helicópteros se chocaram no ar, sobre o Recreio dos Bandeirantes, também na Região Sudoeste, e a última ocorrência foi a deste sábado.
Atualmente, o tráfego de helicópteros é autogerido, com os próprios pilotos trocando informações entre si, o que não é o ideal, segundo o especialista.
“Tem tantas aeronaves voando ao mesmo tempo em alguns dias que há dificuldade é utilizar o rádio, porque são vários pilotos falando ao mesmo tempo. O piloto precisa, além de ouvir a mensagem, ele precisa entender qual é o reflexo daquela mensagem do colega piloto para o voo que ele está fazendo: se há um risco de colisão, se eles estão muito próximos, o distanciamento entre eles. Fica tudo a cargo do piloto”, explica Gerardo Portela.
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