O valor da cesta básica tem recuado. A tendência se repetiu em julho. No mês passado, a inflação desacelerou e voltou para a meta do governo. Foi justamente a queda do preço dos alimentos o fator que mais contribuiu para a redução da inflação.
Essa queda da cesta básica foi justamente relacionada aos alimentos. Para começar, eu vou citar dois: a batata, que teve uma queda de quase 25%, uma queda bem expressiva. O quilo passou de R$ 10,87 para R$ 8,20. Segundo especialistas, foi uma boa safra de inverno e também a melhora na produtividade. Outro alimento: a carne de primeira, que caiu 6%. O quilo passou de R$ 51,40 para R$ 48,54.
Outros alimentos também vêm em queda, são alimentos importantes para a cesta básica: feijão carioquinha, o açúcar, o pão de forma, o café que teve uma redução aí de quase 3%, e também o frango inteiro congelado.
Esse comportamento dos alimentos vem num cenário de bastante atenção do Banco Central quanto à inflação. O presidente, Gabriel Galípolo, chegou a dizer que o Brasil está numa crescente demanda de empregos, de economia, de oferta e demanda, mas numa inflação chamada restritiva, que ele chamou de "inflação de demanda".
A TV Brasil conversou com a economista Juliana Inhasz para entender essa inflação de demanda e o quanto que ela influencia no o consumidor paga hoje.
“A gente está num momento de safras menores no geral, que são essas safrinhas de meio de ano. Então essas safras que estão acontecendo agora, elas têm aumentado a oferta de produtos alimentícios, no geral os produtos in natura. E essa maior oferta de produtos in natura neste momento joga os preços para baixo. Então nada garante que isso será persistente. A gente também passou nos últimos períodos por aumentos de preço de combustível, energia e inúmeros outros elementos que também impuseram custos maiores para a produção. Então hoje realmente nós temos, na inflação brasileira, uma parte explicada pela demanda, uma outra parte explicada pelos custos. E é justamente a conjunção desses dois elementos que pode realmente fazer com que a estratégia de política monetária continue sendo o aperto monetário. Então muito provavelmente a gente deve permanecer ainda com taxas de juros elevadas, talvez um pouco mais baixas do que a atual. Existem expectativas de ainda alguns pequenos cortes, mas a realidade é que nós fecharemos 2026 com uma taxa de juros ainda elevada para o patamar aí da economia brasileira e claro, para o perfil da nossa sociedade.”
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